Grito do Rock: Festival independente volta com força este ano e promete agitar Dourados

Foto: Reprodução
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Um dos maiores festivais independentes ligados ao rock está de volta a Mato Grosso do Sul, mais especificamente ao município de Dourados. O ‘Grito do Rock’ chega à sua sétima edição como um festival underground, que movimenta cultura, ocupa a cidade e fortalece a cena, mostrando o melhor da música independente, com práticas colaborativas e descentralizadas, que trazem novas vozes, linguagens e reflexões. O festival acontece até abril e o lineup será divulgado nas próximas semanas.

‘Grito Rock’ já foi realizado em centenas de localidades, entre fevereiro e março, anualmente. Em 2014, aconteceu em 400 cidades, em 40 países diferentes. Sua primeira edição, em 2003, foi feita por iniciativa do coletivo Espaço Cubo, na cidade de Cuiabá, como uma alternativa ao Carnaval.

Ano após ano, o número de cidades cresceu, o festival ampliou seu conceito estético – ao contemplar outros estilos e linguagens artísticas que não o rock e a música – e se transformou em uma plataforma de rede para incentivo à circulação de artistas e a democratização de tecnologias sociais na área da produção cultural.

Nesses 20 anos de Grito Rock em rede, milhares de bandas já circularam. À medida que se expande e chega a grandes centros do mundo, também conecta pequenas cidades e vilarejos do Brasil Profundo, promovendo intercâmbios culturais em escalas globais. O festival tem a característica de ser um potencializador do ambiente de rede, se configurando enquanto plataforma de democratização de tecnologias sociais.

Em Mato Grosso do Sul, o Grito do Rock já foi realizado nos anos de 2014, 2015, 2016, 2018 e 2020, por meio do ponto de cultura Casa dos Ventos, sempre em Dourados.

Além das apresentações musicais, o Grito Rock Dourados expandiu sua programação ao longo dos anos, incorporando novos eventos temáticos que ampliam o impacto cultural do festival e fortalecem a diversidade artística e social. Esses eventos paralelos trouxeram novas vozes, linguagens e reflexões para o público, consolidando o festival como um espaço plural e inclusivo: Grito Verde, Grito D’Ellas, Grito Slam, Grito Hip Hop, Circo Grita, Expo Grito e Grito Littera.

“O festival é uma viagem, é o maior festival colaborativo, integrado em rede, da América Latina. Ele acontece simultaneamente nesse período de pós-carnaval, em muitas cidades, não só no Brasil, como na América Latina também”, explicou uma das idealizadoras, fundadoras e produtoras da ação em Dourados, Fabi Fernandes.

Ela destaca que o festival hoje é considerado o maior da cena independente autoral, ou seja, não governamental, que Mato Grosso do Sul já recebeu. Em 2026, o ‘Grito Rock’ finalmente recebeu financiamento pela PNAB (Política Nacional Aldir Blanc), o que traz um respiro para a organização e a sensação de reconhecimento.

“Nunca um artista que veio para cá foi pago. E agora, após 15 anos de festival, a gente poderá retornar com esse movimento tendo recurso público envolvido. Iremos ofertar diversas campanhas e ações formativas. Será quase como uma edição comemorativa”.

A partir deste fim de semana, entre os dias 7 e 8 de março, o Grito já estará acontecendo em Campo Grande, por meio das campanhas ‘Grito Delas’ e ‘Grito Hip Hop’, voltadas para o empoderamento feminino, para que artistas do meio se conectem. Além disso, haverá uma homenagem póstuma ao pai de Fabi, o baterista Sarita, que acompanhou o surgimento do Grito desde o início.

“Em vez de fazer grandes ações e o festival durar apenas dois dias, nos concentramos em pequenas ações, mas de impacto. Mais do que aquela estrutura gigantesca e gastar todo o nosso recurso, para só fazer cena, preferimos trabalhar com muitas ações pockets, para que o festival chegue até metade de abril, tanto em escolas como em aldeias, ruas, praças e movimentos independentes.

Diferencial

O festival ainda trará o ‘Grito Tekohá Sapucaí’, iniciativa de coordenação liderada por Luan e Scott que busca registrar, amplificar e fortalecer as vozes dos povos indígenas. Unindo saberes tradicionais e perspectivas contemporâneas, a ação convida comunidades, parceiros e o público em geral a ouvir, aprender e agir pela proteção de territórios, línguas e culturas.

“Um ponto legal desta edição é que o Brô MCs está na organização do festival. O Brô MCs participou desde a primeira edição, eles foram os que inauguraram a campanha Grito Hip Hop e também fecharam essa campanha na última edição, em 2018. Então, neste ano, eles entram na organização comigo. A gente vai conhecer o Brô MCs também nos bastidores. E, é claro, vai ter o gostinho do Brô MCs no palco do festival”, diz Fabi.

‘Grito Tekohá Sapucaí’ significa em guarani ‘grito da aldeia’. “As ações vão ser todas na aldeia dos meninos do Brô, na retomada onde o pai e a mãe deles moram. Então, a gente vai estar usando os nossos pontos de cultura dentro da aldeia”, complementa.
Outros destaques do festival são:

Cine Grito: Programa de cinema autoral do estado, dedicado à circulação, exibição e debate de obras que inovam linguisticamente e questionam padrões. Curadoria independente, parcerias culturais e encontros com criadores para fortalecer a cena regional;
Gritinho: programa de atividades infantis criado com o objetivo de promover descobertas, brincadeiras e aprendizagem em um ambiente seguro, estimulante e inclusivo. São encontros são planejados para crianças com foco no desenvolvimento motor, cognitivo, social e criativo, sempre sob supervisão de profissionais qualificados e com estratégias adaptadas às necessidades de cada criança.

Grito Littera: O Grito Litera é a palavra em movimento. É verso que nasce da rua, da vivência e da urgência de existir. Um espaço onde escrever, falar e escutar se tornam formas de ocupar, criar narrativas que transformam o que atravessa. Aqui, a literatura é resistência e criação coletiva, o encontro de vozes que fortalecem no Grito a criação de novos caminhos.

Mais informações podem ser conferidas no instagram https://www.instagram.com/gritorockdourados/

Por Carolina Rampi

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