O Teatral Grupo de Risco celebra mais de três décadas com uma programação gratuita que combina espetáculos, oficinas, visitas guiadas e rodas de conversa
O Teatral Grupo de Risco encerra o Carnaval e inicia março, mês do Dia Internacional do Teatro com uma programação especial que celebra seus 37 anos de trajetória em 2026, com a circulação de sete espetáculos em Campo Grande. As ações integram o projeto “TGR: Riso, Risco e Resistência”, retomado após atividades em 2025, e incluem nove apresentações para escolas públicas, projetos sociais e instituições, além de bate-papos e visitas guiadas à sede do coletivo.
A programação teve início em 24 de fevereiro e segue até 7 de março, com apresentações e atividades em diferentes espaços de Campo Grande. No dia 27, a agenda foi tripla, com os espetáculos “Revolução”, na Escola Estadual Padre José Scampini, “A Princesa Engasgada”, na Escola Celina Martins Jallad, e “Impróbito”, na sede do grupo.
No dia 3 de março, “A Princesa Engasgada” volta a ser apresentado para participantes do CRAS Los Angeles, com visita guiada. O encerramento inclui apresentação na Escola Marçal de Souza Tupã-Y (5/3), sessão gratuita de “Tesoura” no espaço Flor e Espinho (6/3) e oficina com mulheres no Espaço Teatral Grupo de Risco, no Conjunto Buriti (7/3).

Foto: Vaca Azul/Divulgação
37 anos de TGR
Para o Jornal O Estado, Fernanda Kunzler, coordenadora do TGR, destacou que o grupo completou 37 anos em agosto do ano passado, marco que continua inspirando a programação comemorativa iniciada em 2025 e retomada agora. O projeto “TGR: Riso, Risco e Resistência”, viabilizado pela Lei Paulo Gustavo, teve parte de suas atividades transferidas para 2026 devido ao atraso no repasse de recursos, mas mantém a celebração como eixo central, conectando memória, identidade regional e formação de público na Capital.
“Realizamos uma primeira etapa em novembro e agora retomamos a programação em diálogo com o Dia Internacional do Teatro e o Dia Nacional do Circo. Nossa trajetória é marcada pela trilogia de pesquisa ‘Bomboreu Saga dos Hervais’, o documentário ‘Kaa Força da Erva’ e ‘Guardiões’, que consolidou a identidade do grupo ao abordar a erva-mate, a formação do Estado e o Pantanal sob uma perspectiva histórica e social. Essa base orienta os espetáculos que seguimos apresentando”.
Ao destacar a trilogia, que inclui ainda “Guaicuru – História de Admirar” e o espetáculo “Guardiões”, o grupo reafirma o compromisso com uma cena que investiga as raízes sul-mato-grossenses e tensiona discursos oficiais sobre território e pertencimento.
As pesquisas sobre a exploração da erva-mate, a participação indígena e paraguaia na formação regional e as vivências no Pantanal moldaram não apenas a estética, mas também o posicionamento ideológico do coletivo. Essa construção ao longo de quase quatro décadas explica a escolha do repertório atual, que articula diferentes linguagens e reforça o teatro como espaço de memória, resistência e reflexão social.

Foto: Vaca Azul/Divulgação
Programação guiada
Dentro do projeto “TGR: Riso, Risco e Resistência”, o Teatral Grupo de Risco transforma cada apresentação em um processo de mediação cultural. A iniciativa leva estudantes de escolas públicas, participantes de projetos sociais e universitários das regiões periféricas até a sede do grupo, em Campo Grande, para uma experiência que vai além do espetáculo.
A programação inclui visitas guiadas, rodas de conversa e contextualizações sobre a história do teatro no Estado, destacando a produção local e a trajetória do coletivo. Com transporte gratuito, acessibilidade arquitetônica e intérprete de Libras, o projeto amplia o acesso e fortalece a formação de público de maneira continuada.
No repertório do Teatral Grupo de Risco, cada espetáculo propõe reflexão social e formação crítica: “A Princesa Engasgada” debate a violência contra a mulher ao subverter narrativas tradicionais; “Revolução” problematiza relações de trabalho e direitos sociais; e “Guardiões” volta o olhar ao Pantanal sul-mato-grossense para discutir degradação ambiental e exploração predatória sob uma perspectiva territorial e crítica.
Outras montagens ampliam o repertório: “Do Jeito que é Hoje em Dia” trata da prevenção às ISTs/Aids com linguagem acessível; “Tesoura” discute diversidade e direitos diante da discriminação; “Circo do Absurdo” aborda relações de poder e empatia; e “Impróbitos” aposta na improvisação com participação do público, reafirmando o teatro como espaço de diálogo e intervenção social.
“A proposta é aproximar as comunidades do nosso espaço, apresentar o teatro alternativo e valorizar a produção local de Mato Grosso do Sul. Mantemos a parceria com escolas, oferecemos transporte gratuito para até 45 pessoas, ampliamos o atendimento a regiões como o CRAS Los Angeles e garantimos acesso gratuito, fortalecendo a democratização do teatro”, destaca Fernanda.
Democratização ao teatro
Ao articular apresentações, rodas de conversa, visitas guiadas e oficinas em um mesmo cronograma, o Teatral Grupo de Risco transforma o encerramento do projeto em um gesto político e cultural. A programação foi ajustada para fevereiro e março, período que marca o Dia Internacional do Teatro e o Dia Nacional do Circo, com a proposta de “efervescer” a cena local em Campo Grande.
Em diálogo com outros coletivos do colegiado de teatro, o grupo aposta em um mês pulsante, que não apenas celebra a arte, mas reafirma o fazer teatral como trabalho e reivindica compromisso contínuo das políticas públicas com o setor.
“As ações se complementam porque todas têm o mesmo objetivo: ampliar o acesso. Se não conseguimos ir até a comunidade, a gente traz a comunidade até o teatro, sempre de forma gratuita. Muita gente que está indo agora nunca tinha entrado em um espaço teatral. Quando oferecemos diferentes espetáculos e promovemos conversas, ampliamos as possibilidades de identificação. O teatro é formação de consciência, é formação cidadã. Ele provoca, sensibiliza e cria um vínculo que outras ações educativas, muitas vezes, não conseguem criar”.
A oficina com mulheres no Conjunto Buriti encerra esta etapa do projeto do Teatral Grupo de Risco e reafirma o compromisso com a formação contínua e a transformação social em Campo Grande. Realizada em parceria com a associação local, a ação integra um trabalho já desenvolvido pelo grupo, unindo espetáculos e rodas de conversa para fortalecer a comunidade, especialmente em março, mês do Dia Internacional do Teatro.
“O trabalho com as mulheres do Conjunto Buriti não é isolado: busca criar vínculo, aprofundar reflexões e fortalecer a consciência cidadã. O teatro atua como ferramenta de sensibilização e mobilização, e encerrar esta etapa em março é simbólico, celebrando e reafirmando a luta pelo fortalecimento da cultura e das políticas públicas”, finaliza Fernanda.
Serviço: O Teatral Grupo de Risco apresenta em março uma sequência de atividades no Espaço TGR. No dia 3, às 8h, e no dia 5, também às 8h, será encenado o espetáculo A Princesa Engasgada. No dia 6, às 19h15, será a vez de Tesoura subir ao palco, e no dia 7, às 8h30, o grupo promove uma oficina com mulheres do Conjunto Buriti. Todas as atividades são gratuitas.
Por Amanda Ferreira
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