O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (23) que o diálogo e a negociação são “a melhor resposta” a tentativas de transformar o comércio internacional em instrumento de pressão política. A declaração foi feita durante o discurso de encerramento do Fórum Empresarial Brasil-Coreia do Sul, realizado durante visita oficial do mandatário brasileiro ao país asiático.
Sem citar diretamente as novas tarifas globais de 15% impostas pelo ex-presidente Donald Trump sobre produtos que entram nos Estados Unidos, Lula destacou que acordos baseados em confiança e cooperação geram resultados mais duradouros. Segundo ele, a relação entre o Brasil e a República da Coreia demonstra que entendimentos mutuamente benéficos são possíveis quando há disposição para negociar.
Durante o discurso, o presidente avaliou que o intercâmbio comercial entre os dois países, atualmente estimado em US$ 11 bilhões (cerca de R$ 56,9 bilhões), ainda está abaixo do potencial das economias brasileira e sul-coreana. Lula lembrou que o volume está distante do recorde de quase US$ 15 bilhões registrado em 2011 e afirmou que, para reverter esse cenário, foi celebrado um acordo de cooperação comercial e integração produtiva.
O entendimento, segundo o chefe do Executivo, tem foco no fortalecimento da cooperação industrial, tecnológica e agrícola, além da construção de cadeias de suprimentos mais resilientes e seguras. Lula destacou ainda que o acordo inova ao incluir áreas estratégicas como minerais críticos, indústrias sustentáveis e o setor audiovisual. Para acompanhar a implementação das medidas, ministérios dos dois países passarão a se reunir regularmente.
Outro ponto enfatizado pelo presidente foi a abertura do mercado sul-coreano para a carne bovina brasileira. Lula afirmou que o Brasil trabalha há cerca de 15 anos para obter acesso ao setor e disse estar disposto a avançar nos procedimentos sanitários necessários. Em tom descontraído, o presidente citou o bulgogi, prato tradicional da culinária coreana, e afirmou que ele “combina com uma carne de qualidade como a brasileira”.
De acordo com o mandatário, a abertura do mercado também deve estimular investimentos de grandes frigoríficos brasileiros na Coreia do Sul. Lula afirmou que o Brasil está preparado para atender à demanda por proteína animal no país asiático e destacou a presença global do agronegócio brasileiro, citando exportações indiretas por meio de outros mercados.
Após mencionar dados sobre abate de gado e produção de ovos, o presidente brincou com a plateia ao encerrar o tema: “Feita a propaganda do agronegócio brasileiro”.
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