A forte chuva que atingiu Campo Grande na tarde de ontem (20) repetiu o cenário de caos registrado no dia anterior. Acompanhado de granizo e ventos intensos, o temporal provocou novos alagamentos, deixou ruas intransitáveis, derrubou árvores e isolou moradores em diversas regiões. Segundo o meteorologista Natálio Abrão, o volume de chuva em fevereiro de 2026 já apresenta uma alta de 47,8% em relação ao mesmo período de 2025.
As nuvens carregadas que encobriram o céu na tarde desta sexta-feira não demoraram a descarregar. Em poucos minutos, a Avenida Gunter Hans, no bairro Aero Rancho, voltou a inundar, causando congestionamentos e deixando veículos flutuando. Na Avenida Raquel de Queiroz, condutores precisaram recalcular rotas devido à força da enxurrada.
No Centro, semáforos ficaram inoperantes. No bairro Ouro Verde, alunos da Escola Municipal Doutor Eduardo Olímpio Machado foram surpreendidos pela água que invadiu corredores e salas de aula. Já no Jardim Santa Emília, a queda de uma árvore na ponte que liga ao Jardim São Conrado interrompeu o fluxo de veículos. Na região do Lagoa Park os moradores ficaram surpresos com a chuva de granizo em seus telhados.

Foto: Roberta Martins e Nilson Figueiredo
Recordes de precipitação
Os dados acumulados revelam a severidade do clima neste ano. Enquanto em fevereiro de 2025 o volume médio foi de 116 mm, os registros atuais impressionam: 289,4 mm no Jardim Panamá e 284,6 mm na região Central. No monitoramento por pontos críticos, a região do Lago do Amor registrou 51,6 mm apenas nesta sexta-feira.
Insegurança nos bairros
Nos bairros Vila Nogueira e Cristo Redentor, o medo é constante. Na Rua Lourenço Alves da Costa (Cristo Redentor), a falta de pavimentação e drenagem transformou a via em um rio de lama. “Toda vez que chove a rua fica intransitável, estraga os carros e até os ônibus têm dificuldade. A gente evita sair por insegurança”, relatou o impressor gráfico Edno Luiz Maciel, de 56 anos.
Na Vila Nogueira, a situação se repete há décadas. “Vira um piscinão. O Uber cancela corridas e até a pé é difícil. Ficamos com medo porque não sabemos o que tem embaixo da água”, desabafa a dona de casa Evyllem Luana dos Santos Souza, 36.
Lago do Amor e resgate de ambulância
O Lago do Amor, próximo à UFMS, transbordou na quinta-feira (19) e travou o trânsito na região. Equipes da Sisep realizaram a limpeza do vertedouro pela manhã, mas a cratera aberta em temporais anteriores na calçada segue sob monitoramento para interdição.

Foto: Roberta Martins e Nilson Figueiredo
Um dos momentos mais dramáticos ocorreu na Avenida Costa e Silva, onde uma viatura do Samu, que transportava um paciente com AVC (ACidente Vascular Cerebral) para o Hospital Regional, ficou ilhada em meio à correnteza. O CBMMS (Corpo de Bombeiros) precisou intervir, transferindo a vítima para uma unidade de suporte avançado para garantir a continuidade do socorro.
O publicitário Luiz Nogueira relatou que passava pela Costa e Silva no momento do alagamento e presenciou o cenário. “As vias estavam praticamente paradas em ambos os sentidos. Decidi seguir em direção ao Terminal Morenão e foi onde vi a gravidade da situação: uma ambulância ilhada e inúmeros motociclistas com os veículos inundados pela força da água”, relatou.
O QUE DIZ A PREFEITURA?
A Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) informou que mantém uma força-tarefa que já recuperou 60 mil buracos nas sete regiões da cidade desde o início do ano.
O secretário Marcelo Miglioli destacou que o principal desafio é a intensidade das chuvas. “Não há como usar massa asfáltica com o solo molhado; ela precisa estar entre 110°C e 177°C para garantir a qualidade. As chuvas concentradas sobrecarregam o sistema de drenagem temporariamente”, explicou.
Geane Beserra
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