Vistorias apontam impacto da seca em 640 mil hectares de soja no sul de MS

Foto: Aprosoja
Foto: Aprosoja

Mais de 640 mil hectares de soja em Mato Grosso do Sul passaram por períodos superiores a 20 dias sem precipitação em janeiro, segundo levantamento de campo divulgado em fevereiro pela Aprosoja. As vistorias, realizadas na última semana do mês, identificaram comprometimento das lavouras principalmente na região sul do Estado.

O diagnóstico concentra-se em Dourados, Ponta Porã, Maracaju e Amambai, onde a estiagem coincidiu com fases determinantes do ciclo produtivo. De acordo com o boletim técnico, a ausência de chuva associada a temperaturas elevadas reduziu o desenvolvimento vegetativo e afetou a formação de vagens em parte das áreas inspecionadas.

O impacto varia conforme o estágio da planta e a capacidade de retenção de umidade do solo, mas técnicos já apontam risco concreto de redução na produtividade média regional.

A mudança nas condições de campo foi rápida. Em dezembro de 2025, mais de 75% das lavouras sul-mato-grossenses apresentavam avaliação considerada positiva. Ao longo de janeiro, a sequência de dias secos alterou esse quadro, sobretudo no sul, onde o déficit hídrico se prolongou além de 20 dias consecutivos.
A deterioração das condições das plantas foi registrada em relatórios técnicos que passaram a indicar maior proporção de áreas classificadas como regulares ou ruins.

Embora o levantamento aponte perdas localizadas, o Estado mantém projeção de crescimento da área cultivada. A estimativa para a safra 2025/2026 é de 4,794 milhões de hectares, expansão de 5,9% em relação ao ciclo anterior.

A produtividade esperada permanece em 52,82 sacas por hectare, com produção potencial de 15,195 milhões de toneladas, números ainda baseados na média histórica do projeto.

O desempenho final, entretanto, dependerá da regularização das chuvas nas próximas semanas. Caso o regime hídrico se restabeleça em tempo hábil, parte das áreas afetadas poderá recompor parcialmente o potencial produtivo.

O monitoramento continuará nas próximas semanas, com novas vistorias para dimensionar a extensão das perdas e reavaliar as projeções iniciais da safra.

Por Djeneffer Cordoba

 

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