Nos dias de Carnaval, as ocorrências de problemas relacionados às bebidas misturadas aumentam, segundo especialista
O Carnaval chegou e, além da diversão que envolve uma das festas mais alegres e bonitas do país, a data também acende um alerta nos centros médicos. Uma tradição que parece inofensiva pode resultar em um problema sério de saúde: a conhecida mistura de álcool com energético.
Nesta sexta-feira (13), no primeiro dia oficial que leva os foliões às ruas, o jornal O Estado conversou com a médica cardiologista Rubya Tesser, que alerta para o que chama de “efeito de somação”. A profissional explica que o ato de somar (ou misturar) duas bebidas estimulantes é “a receita da catástrofe” para o coração. Isso porque tanto o álcool quanto o energético estimulam e aceleram o ritmo dos batimentos cardíacos e, juntos, resultam em uma “combinação explosiva”.
Rubya ressalta que não trabalha com terror psicológico ou sensacionalismo. Segundo ela, é possível que uma pessoa utilize a mistura e não apresente qualquer efeito cardiológico, mas isso não acontece com todos. E não há uma regra: não é possível saber previamente quem é mais ou menos resistente ou quem tem tendência à arritmia maligna — alteração do ritmo cardíaco que pode levar à parada —.
Dose segura?
Para evitar problemas sérios, o conselho é curto e claro: não tomar. A cardiologista afirma que não existe dose segura dessa mistura e que, em alguns casos, o risco é imediato. No entanto, por ser muito comum entre os jovens, grande parte do público das festas de rua, ela orienta: “Se você sentir palpitações após a mistura, suspenda imediatamente o uso. E, se os sintomas persistirem, com piora da respiração e evolução para dor no peito, procure um pronto-socorro”.
Outra dica é sair da multidão, sentar-se ou até mesmo deitar, beber água e se alimentar. Além disso, é fundamental procurar ajuda profissional o mais próximo possível.
Nesta época do ano, o cuidado precisa ser redobrado, pois, além de a mistura já ser perigosa, a combinação com calor, ambientes cheios e agitação potencializa ainda mais os efeitos no corpo. Para a médica, o verdadeiro perigo está na dosagem. “Se for beber, intercale os copos com água. Isso ameniza os danos.” Para quem quer evitar problemas, o ideal é optar por bebidas com baixo teor alcoólico e misturar o álcool apenas com sucos, frutas e outras bebidas que não contenham cafeína ou qualquer outro ingrediente estimulante que possa colocar a vida em risco.
Canetas emagrecedoras
Na experiência clínica de Rubya, alguns pacientes que fazem uso de canetas emagrecedoras sem regulamentação dos órgãos competentes, as famosas “canetas do Paraguai”, apresentaram alteração no ritmo do coração. Para essas pessoas, ela alerta: o cuidado deve ser redobrado, e o risco pode ser ainda maior.
O “efeito de somação” ao qual ela se refere anteriormente também se aplica nesse caso, já que essas canetas podem provocar aceleração dos batimentos cardíacos como efeito colateral. Quando associadas ao consumo de álcool e energético, há uma sobrecarga ainda maior do sistema cardiovascular, aumentando o risco de arritmias, elevação da pressão arterial e até complicações mais graves. Segundo a cardiologista, o problema é que muitos desses produtos são utilizados sem acompanhamento médico e sem controle de procedência, o que torna os efeitos imprevisíveis.
Por Maria Gabriela Arcanjo
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