Chuvas no Pantanal amenizam efeitos da estiagem e três municípios têm volumes acima da média

Foto: Bruno Rezende
Foto: Bruno Rezende

De acordo com o Cemtec, os maiores acumulados foram observados na sub-região da Nhecolândia

 

As chuvas intensas que atingem Mato Grosso do Sul desde o último domingo (1º) também chegaram à região do Pantanal e representam uma mudança positiva diante do cenário de estiagem enfrentado pelo bioma. As precipitações contribuem para a recuperação dos níveis dos rios, aliviam o período seco e favorecem o equilíbrio ambiental nos próximos meses. Municípios como Aquidauana, Miranda e Porto Murtinho registraram volumes acima do esperado para o período.

De acordo com o Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima), os maiores acumulados foram observados na sub-região da Nhecolândia. Em Aquidauana, na Fazenda Barranco Alto, choveu cerca de 175 milímetros nas últimas 96 horas, volume aproximadamente 11% acima da média histórica. Em Miranda, o acumulado chegou a 161 milímetros, cerca de 20% acima do esperado. Já Porto Murtinho registrou 149 milímetros, ficando cerca de 18% acima da média.

Para o meteorologista Vinicius Sperling, os temporais recentes ajudam a amenizar os efeitos da estiagem. “O Pantanal teve chuvas significativas e, com certeza, isso ajuda no enfrentamento da estiagem, porque a gente vem de muitos anos consecutivos com precipitações abaixo da média. Não é um evento de chuva que reverte a situação, mas funciona como um alento, algo que alivia um pouco, pelo menos momentaneamente”, explica.

Em relação ao comportamento mensal, os episódios recentes contribuem de maneira significativa para o mês de fevereiro, sobretudo nas áreas onde os acumulados superaram a climatologia. Segundo o Cemtec, as chuvas recentes são importantes porque favorecem a recarga do solo, a recuperação gradual da umidade e podem contribuir para a elevação dos níveis dos rios, ajudando a diminuir os impactos da estiagem.

Na comparação com janeiro, o órgão aponta uma melhora no padrão das precipitações, com temporais mais frequentes e volumes mais expressivos. Esse avanço representa uma mudança positiva em relação ao cenário de chuvas irregulares e déficits registrados no início do ano.

Chuvas ainda irregulares no bioma

Apesar dos volumes expressivos em algumas áreas, os registros de precipitação apontam que a distribuição das chuvas no Pantanal ainda são irregulares. Enquanto a Nhecolândia teve acumulados acima do esperado para o período, outras sub-regiões ainda apresentam déficit.

Áreas do Pantanal do Paiaguás e do Nabileque registraram volumes mais baixos. Em Corumbá, tanto na região do Paiaguás quanto do Nabileque, os acumulados ficaram entre 40% e 60% abaixo da média histórica, indicando que a chuva ainda não ocorreu de forma homogênea em todo o bioma.

Vinicius Sperling ressalta que o momento das precipitações é considerado estratégico para a região. “Entre maio, junho, julho e agosto, a estiagem já é típica do Pantanal. Então, essa chuva vem em um bom momento”, afirma.

Segundo o meteorologista, mesmo sem uma distribuição uniforme, os temporais recentes são positivos para a dinâmica do bioma. “Eles ajudam a segurar a umidade e fazem diferença quando o período seco se estabelece, mantendo áreas alagadas por mais tempo e reduzindo os impactos da estiagem nos próximos meses”, conclui.

Para uma redução mais consistente da seca nos próximos meses, especialistas alertam que é fundamental que as chuvas continuem ocorrendo de forma regular ao longo do restante do verão e início do outono, garantindo a manutenção do processo de recuperação hidrológica no Pantanal.

 

Por Geane Beserra

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