Testes de colesterol, triglicerídeos, entre outros, não são realizados desde dezembro de 2025
A rede municipal de saúde de Campo Grande sofre com a falta de reagentes químicos utilizados em exames laboratoriais de colesterol, triglicérides e albumina, entre outros. A situação atinge todos os postos de saúde da Capital, já que a falta advém do Laboratório Central Municipal, onde os exames são realizados depois da coleta de sangue.
Sem esses reagentes, a realização dos exames não é possível. Eles são substâncias químicas essenciais que reagem com as amostras biológicas, como sangue e urina, por exemplo, e detectam doenças ou outras complicações de saúde.
De acordo com funcionários que não se identificaram, o problema acontece desde dezembro do ano passado, sem previsão de normalização. Ainda segundo um deles, exames de urina também chegaram a ficar indisponíveis para a população que busca atendimento público, mas foram retornados há pouco. O motivo seria um problema com o fornecedor do produto.
Na época, o jornal O Estado já havia recebido denúncias semelhantes. No dia 9 de dezembro de 2025, a moradora do Portal Caiobá, Elizabete dos Santos, 44 anos, relatou que precisou desembolsar R$ 70 em um laboratório particular para conseguir um exame de urina necessário para uma cirurgia, após ser informada da falta de reagentes na Clínica da Família do bairro.

Amostras não estão sendo analisadas pela falta do reagente no Laboratório da Capital – Foto: reprodução-internet
Pacientes confirmam cenário
Na tarde desta quinta-feira (5), a reportagem do jornal O Estado esteve no CRS (Centro Regional de Saúde) Aero Rancho, onde pacientes confirmaram a precariedade do serviço. Uma dona de casa de 50 anos relatou que a unidade não está realizando exames de vitamina B e B12. A orientação recebida pelos funcionários foi de que ela deveria “voltar na semana que vem para dar uma olhada” e verificar se o material chegou.
Para ela, a situação é recorrente. “Tive que pagar por dois exames no particular mês passado”, lamenta. Além de sua própria saúde, ela se preocupa com a neta, ainda bebê, que aguarda um exame de sangue para investigar uma anomalia na pele. ”Está difícil a saúde para quem não tem condições de pagar”, desabafa.
No mesmo local, uma senhora de 62 anos, que acompanhava a neta de 14 anos após uma crise de cólica, também expressou sua indignação. Embora tenha conseguido realizar a coleta de sangue da adolescente com previsão de resultado para amanhã, ela afirma que o atendimento costuma ser falho. “Isso aqui é uma vergonha. Venho à unidade às vezes e quase sempre saio sem o que preciso”, relata.
Investigação do MPMS
A falta de reagentes no sistema não é novidade. Conforme apurou o jornal O Estado de Mato Grosso do Sul, em julho de 2025, o MPMS (Ministério Público Estadual) chegou a instaurar um inquérito civil para investigar a indisponibilidade de exames essenciais na rede pública municipal, como PSA Total (Antígeno Prostático Específico), TSH (hormônio tireoestimulante) e sangue oculto nas fezes.
Em 2025, a investigação levou em consideração a denúncia de um paciente de uma USF (Unidade de Saúde da Família) e, na época, as diligências realizadas pelo MPMS apontaram uma falha no fornecimento de reagentes. A promotora de Justiça, Daniella Costa da Silva, chegou a alertar que a ausência de diagnósticos comprometia diretamente a atenção básica à saúde e a população masculina.
Moradores aproveitam mutirão para tirar pendências de documentos e saúde – Fotos: Nilson Figueiredo
O que diz a Sesau?
Procurada pela reportagem, a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) informou que, em razão do fechamento do exercício financeiro, ocorreram ajustes administrativos que ocasionaram atrasos pontuais na reposição de alguns insumos laboratoriais. A pasta esclareceu que as notas de empenho já foram emitidas e os pedidos devidamente formalizados junto aos fornecedores.
“A Secretaria informa que, em razão do fechamento do exercício financeiro, ocorreram ajustes administrativos que ocasionaram atrasos pontuais na reposição de alguns insumos laboratoriais. As notas de empenho já foram emitidas, os pedidos devidamente formalizados e a Secretaria encontra-se já aguardando a entrega dos materiais, com previsão de normalização até a próxima semana”, finalizou o comunicado.
Por Por Maria Gabriela Arcanjo
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