A crescente no número de denúncias contra clínicas de estética e por procedimentos realizados de forma irregular. Em Mato Grosso do Sul, a presidente da SBD-MS (Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional MS), Dra. Elza Garcia, reforça ao O Estado, a necessidade de que pacientes busquem profissionais habilitados para evitar complicações graves, muitas vezes irreversíveis.
Segundo a médica, sempre que o objetivo for melhorar rugas, manchas, flacidez ou a aparência geral da pele, o caminho mais seguro é procurar um dermatologista com RQE (Registro de Qualificação de Especialidade) ativo. “O RQE é o registro que comprova que aquele profissional realmente é um dermatologista. É uma garantia para o paciente de que está sendo acompanhado por alguém com formação adequada”, explica.
Dra. Elza destaca que apenas o médico dermatologista tem condições de avaliar o histórico clínico do paciente, doenças prévias, tratamentos anteriores e, a partir disso, definir o protocolo mais seguro. “O dermatologista vai indicar o tratamento correto e analisar se aquilo que o paciente deseja é realmente o que ele precisa, sempre considerando os riscos e a segurança”, afirma. Ela orienta que os pacientes sempre verifiquem o CRM e o RQE do profissional nos sites do CRM-MS ou do Conselho Federal de Medicina, onde consta a especialidade registrada.
Complicações graves e risco de morte
A presidente da SBD-MS alerta que complicações decorrentes de procedimentos realizados por profissionais não habilitados têm se tornado frequentes. As sequelas incluem infecções graves, abscessos, alergias, necrose e até choque anafilático. “Muitos pacientes desenvolvem infecções por micobactéria atípica, que geram múltiplos abscessos e são muito difíceis de tratar”, relata.
Ela também chama atenção para o uso de substâncias permanentes, como silicone líquido e PMMA (polimetilmetacrilato), que podem causar danos imediatos ou tardios. “São produtos que não têm como ser retirados do corpo. O silicone, especialmente, pode gerar complicações logo após a aplicação”, destaca.
Além de clínicas clandestinas, a médica também menciona estabelecimentos regularizados, mas que atuam com profissionais sem habilitação para realizar procedimentos invasivos. “Quem tem capacidade técnica para usar agulhas e cânulas na face de um paciente? Existe um motivo pelo qual a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) classifica produtos injetáveis como de risco grau 3: eles podem causar problemas graves”, reforça.
Aumento de complicações
Nos últimos anos, o número de complicações relacionadas a procedimentos estéticos realizados por profissionais sem qualificação aumentou consideravelmente. Casos de isquemia, principalmente na região glútea, e dermatites de contato têm sido cada vez mais comuns.
A SBD, segundo Dra. Elza, acompanha esse cenário com preocupação e desenvolveu um dossiê que reúne estudos, casos e orientações sobre segurança em tratamentos estéticos. O material está disponível para consulta pública e serve como referência para profissionais e pacientes.
Michelly Perez