Secretária admite déficit de 500 leitos e lotação nas UPAs e apresenta medidas para reduzir superlotação
A rede pública de saúde de Campo Grande enfrenta um colapso, com a falta de leitos e o desabastecimento de medicamentos impactando diretamente o atendimento à população. Diante dessa situação, a secretária municipal de Saúde, Rosana Leite, e seu adjunto, Aldecir Dutra, compareceram à Câmara Municipal nesta sexta-feira (4) para prestar esclarecimentos. Vereadores questionaram a gestão da pasta e cobraram medidas imediatas para evitar o agravamento da crise.
O presidente da Câmara, vereador Epaminondas Neto, o Papy, relatou que a Secretaria de Saúde tenta minimizar o problema com a abertura de 60 novos leitos. “Há falta de leitos hospitalares e de medicamentos em Campo Grande. A secretária Rosana Leite veio de forma espontânea prestar esclarecimentos daquilo que ela acompanha na pasta da Saúde ao longo das últimas semanas. Tivemos a informação de que a secretaria já está em busca de adotar mecanismos que viabilizem soluções para esses problemas, e a Câmara está nessa discussão para somar esforços na resolução. Serão abertos 60 novos leitos em hospitais filantrópicos para diminuir as internações de pacientes que estão nas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) aguardando transferência”, declarou.
A secretária Rosana Leite reconheceu a gravidade da situação e afirmou que o déficit atual é de 500 leitos hospitalares, agravando a superlotação das UPAs. “A saúde de Campo Grande infelizmente sempre teve problemas. E a falta desses leitos acarreta na superlotação das UPAs. Nos últimos dias foram agravadas algumas patologias e, paralelamente a isso, estamos acompanhando o aumento nos casos respiratórios. Os vereadores são os representantes do povo e eles têm a prerrogativa de fiscalizar a saúde e todas as outras áreas. Registramos uma média de 3,5 mil atendimentos apenas na segunda-feira. Esse cenário exige flexibilidade para manter pacientes internados, realizar diagnósticos, tentar conter a situação e convocar mais profissionais. Estamos aqui para fazer essa prestação de contas do que está sendo feito na saúde”, disse a secretária.
O vereador Dr. Vitor Rocha, presidente da Comissão de Saúde, apontou o risco de colapso na Santa Casa e a necessidade de recursos emergenciais para manter o atendimento. “Nós vereadores buscamos hoje com o Executivo Municipal um entendimento. A gente sabe que houve uma crise importante na Santa Casa por insuficiência financeira no contrato. O município aumentou em R$ 1 milhão o repasse para a Santa Casa, totalizando R$ 6 milhões. O Governo do Estado tem um repasse importante de R$ 9 milhões no seu contrato e articulou junto com a bancada Federal um recurso importante de R$ 26 milhões para tentar minimizar o problema do desabastecimento da Santa Casa e da inadimplência dela em relação aos profissionais médicos que prestam serviço à população”, pontuou.
Na quinta-feira (3), a Câmara participou de uma reunião com o Governo do Estado que confirmou o repasse de R$26 milhões para a Santa Casa. No entanto, vereadores alertam que os problemas estruturais da saúde municipal vão além da questão financeira e exigem soluções a longo prazo para evitar que o caos se repita. “Foi uma importante reunião de trabalho para socorro da Santa Casa. É a união dos Poderes para a solução da crise”, disse Papy.
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