3 dezembro 2020, 2:44
Foto: Divulgação

A vida em si muda o significado de “para sempre”

Uma das coisas que você tem que fazer na vida é ouvir Bob Dylan. É sério, pare o que está fazendo, pause qualquer som que esteja no play, vá até o Spotify mais próximo e ouça a discografia completa. Dylan é um dos maiores letristas de todos os tempos e levou até um Nobel de literatura por suas excelentes poesias. E ao longo dos anos serviu como inspiração para filmes e alguns roteiros descolados, até mesmo bandas que tentam resgatar os anos 1950. Para aqueles como eu que leva a música como um guia para vida e buscam andar alinhados com ela para não perder o fio da meada – música é um compromisso diário, esqueça dela um dia e com certeza ela vai esquecer de você – os filmes capturam essa intensidade dos artistas e dão um enorme quentinho no coração da gente.

O filme “A Vida em Si” (2018) tem esse casamento perfeito entre um álbum maravilhoso do Dylan e um grande significado para uma personagem. Um filme bem complexo e que talvez tenha diversos significados para que quem assiste e até mesmo no momento da vida em que busque mais maturidade, mas dá uma dimensão muito interessante de como os rumos que tomamos podem mudar em um segundo. Will Dempsey (Oscar Isaac) acredita ter algumas respostas para uma tragédia pessoal e até mesmo cria uma fanfic de toda sua história mesmo tendo que frequentar uma psicóloga com a normalidade que ele julga necessário. A questão é que não podemos mensurar a dor de cada um e muito menos interceder na dor que o outro sente, esse filme vai pesado nas histórias pessoais de cada personagem seja ele uma ligação para dar prosseguimento no próximo ato ou não.

O longa se mantém bem consistente até o terceiro ato onde já se constrói uma saída esperada. Os planos de câmera ajudam bastante a dar essa dimensão de urgência que o filme precisa contar a história de um homem que tem sua vida virada de cabeça para baixo, depois de uma tragédia pessoal a qual somos obrigados a partilhar para entender quão doido é essa perda, e claro somos cúmplices de toda enganação que ele conta para si mesmo para esquecer ocorrido. “A Vida em Si” é um filme sobre aceitação e perdão e acima de tudo, como devemos perceber a vida ao nosso redor e deixar fluir como uma forma de liberdade em uma realidade que nos cobra demais, seja por trabalho ou afazeres do dia a dia. Ao mesmo tempo que traz à tona diálogos muito relevantes sobre a solidão e confiança nos outros, e como tudo ocorre de forma avassaladora.

(Confira mais na página C2 da versão digital do jornal O Estado)

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