1 dezembro 2020, 16:58
Divulgação/Boston Pizzaria

Nem a pizza escapa da alta dos produtos lácteos e sobe 15%

Muçarela, por exemplo, teve reajuste de mais de 100% nos preços

Se para o consumidor as compras estão “pesando no bolso”, para quem trabalha com a produção e venda de pizzas não é diferente. A equipe do jornal O Estado, em conversa com empresários do setor que atuam em Campo Grande, constatou que a alta principalmente nos queijos provocou, na maioria dos casos, o repasse de pelo menos 15% para os consumidores.

Fontes do setor de distribuição de alimentos, indicaram que os principais itens utilizados para a fabricação de pizzas tiveram altas de até 115% neste ano. Sendo a muçarela responsável pelo maior encarecimento, seguida pela farinha com 40%, Bacon 60%, requeijão 45%, calabresa 100%, presunto 35%, embalagem 25% e gás 35%.

Segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), já no mês de setembro o leite integral em Campo Grande ficou 5,18% mais caro. A situação também foi registrada no restante do país, onde o preço variou entre 1,10% e 10,99%. Na ocasião, o estudo apontou que a maior concorrência entre as indústrias produtoras de laticínios para a compra do leite no campo, assim como a elevação do custo dos insumos, como o farelo de milho e soja, juntamente com a estiagem prejudicaram as pastagens,o que teria contribuído para  tal elevação.

Atuando na venda de pizzas há 21 anos, Valkiria Paloschi, proprietária da Pizza Na Pedra, localizada no Parque dos Novos Estados, afirmou que nunca vivenciou um aumento tão significativo, quanto este e que isso já provocou algumas mudanças, principalmente no preço, que passou de R$ 18,00 para R$ 35,00, e na forma de produção, uma vez que medidas para o combate de desperdícios foram aplicadas.

“Teve alta principalmente na muçarela, que chegou a R$ 35,00 o quilo e infelizmente tivemos que repassar um pouco para os clientes. Tentei não aumentar os valores, mas fiquei no vermelho. Além de todos os queijos o preço da calabresa também subiu, tudo teve aumento, mas nada como a muçarela. Além disso, passei a pesar todos os ingredientes, evitando desperdício e mantendo o padrão, busquei novos fornecedores e parei com as promoções voltadas para valores”, pontuou.

Questionada sobre a expectativa para os últimos meses do ano, a empresária afirma que as vendas estão pelo menos 40% menores que o esperado e, além disso, ressalta que os preços não devem voltar aos patamares registrados no início do ano.

“Estamos vendendo, mas nada parecido com o que se espera pelo período do ano. No período que só estávamos com o delivery, [as vendas] diminuíram uns 40%. Depois com a abertura gradual as entregas diminuíram e as mesas começaram a vender, mas hoje está aproximadamente nesse percentual de queda. Nos preços acredito que eles possam cair, mas nada comparado com os valores de antes, acredito que nada será como foi”, confirmou.

Se para quem atende presencialmente a situação está complicada, os reajustes também foram registrados para quem atua no comércio delivery. Assim foi o que Thiago Avilla, proprietário da 067 Pizzaria, localizada no Jardim Parati, informou.

“Subiu tudo, mas o que mais afeta e que praticamente todas as pizzas têm é a muçarela. Cheguei a pagar R$ 50 no quilo, antes o preço estava entre R$ 17 e R$ 23. Infelizmente tivemos que aumentar os nossos preços, em 15%. Muito clientes entenderam a nossa decisão, mesmo assim outros ainda reclamam. Além
do mais, estamos vendo que até para quem trabalha com o atendimento presencial o consumo caiu, diferente do início da pandemia, onde ficou maior”, comentou.

Quem também sentiu a alta dos preços nos insumos foi Atalicio Paulino, que em conjunto com o seu sócio Lucas Souza administra a King’s Pizzaria Delivery. Eles precisaram elevar em 18% e até 40% os preços de alguns tipos de pizza. Tudo isso por conta do aumento dos custos.

“Alguns itens dobraram de valor, exemplo disso foi o óleo de cozinha, que era R$ 3,20 e passou a custar R$ 6,70. Outro produto, a muçarela que é essencial e vai em todas as pizzas custava R$ 19,00 o kg, chegando a custar R$ 34,00 até a última semana. Sendo assim, tivemos que reajustar nossos preços, porém assumimos alguns custos para não repassar tudo para o cliente,e mantivemos nosso padrão de
qualidade”, revelou.

Embalagens

Até mesmo as embalagens para acondicionar as pizzas ficaram mais caras. Sendo assim, a expectativa é de que os preços só entrem em tendência de queda no próximo ano. “Agora que os derivados do leite começaram a baixar, as embalagens começaram a subir, e os fornecedores já falam em falta de material. Sem contar os outros produtos de atacado que ainda estão subindo e também tivemos o reajuste de 5% no gás. Creio que março de 2021 possa estar baixando os preços, isso sendo bem otimista”, lamentou. Confira outras notícias.

(Texto: Michelly Perez)

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