8 agosto 2020, 8:25
Crédito: Assessoria

Pandemia ‘isola’ indígenas de aulas esportivas online em MS

Órgãos públicos admitem que transmissões não chegam a grande parte das 84 aldeias

Mato Grosso do Sul registra população indígena de aproximadamente 61 mil pessoas segundo os últimos dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 2012. São oito etnias distribuídas em 29 municípios. Com a incidência da pandemia da COVID-19 no Estado, e com atividades esportivas desenvolvidas remotamente pelos poderes municipal e estadual, a reportagem buscou identificar como os índios tem sido assistidos nesse período.

Moradora da Aldeia Jaguapiru, Indianara Ramires, 29 anos, coordenadora-técnica do Polo de Dourados – a 230 km de Campo Grande – afirma que as comunidades indígenas da região atualmente não contam com quaisquer assistências esportivas. Enfermeira, ela falou a respeito do número de casos de COVID-19 dentro da comunidade, que atualmente conta com aproximadamente 18 mil indígenas.

“Em relação ao coronavírus nossos cuidados tem sido os mesmos que os da população em geral. Atualmente nós somamos cerca de 180 casos de COVID-19 na comunidade, muitos casos já recuperados”, pontuou Indianara. Acrescenta que a comunidade conta com um indígena em situação de risco que foi encaminhado e instalado no Hospital Universitário de Dourados.

Diretor esportivo da Funed (Fundação de Esportes de Dourados), Carlos Eduardo Stranieri, afirmou que quase todas as atividades esportivas estão paralisadas nesse momento. “Apenas o Centro Esportivo Jorge Antônio Salomão, “Jorjão”, conta com aulas de ginástica e zumba, todas on-line. O Polo esportivo indígena, localizado na Aldeia Bororó também está fechado para exercícios nesse período”, ressaltou o dirigente a O Estado, na terça-feira (7).

Na Capital, apenas uma das quatro comunidades “acompanha” as atividades on-line

Em Campo Grande, segundo a Secid-MS (Subsecretaria Especial de Cidadania), existem quatro comunidades: Água Bonita, Darcy Ribeiro, Marçal de Souza e Tarsila do Amaral. Em contato com o jornal O Estado na terça-feira (7), a Funesp (Fundação Municipal de Esportes) afirmou que apenas aTarsila do Amaral tem acompanhada as atividades.
Os exercícios integram o Programa Movimenta CG em Casa, extensão do Projeto Movimenta CG, adaptado para o cenário de pandemia. Até o fechamento desta edição, o diretor-presidente da Fundação, Rodrigo Terra, não retornou contato para possíveis atualizações.

Pasta estadual ligada aos índios está sem um titular

Diretor-presidente da Fundesporte (Fundação de Desporto e Lazer de Mato Grosso do Sul), Marcelo Miranda, afirmou que por vias de conexão com a internet alguns programas e atividades não se estendem atualmente a população indígena no Estado. O diretor salienta que foi realizado um plano de programa direcionado aos indígenas mas, segundo ele, foi impossibilitado momentaneamente pela disseminação do novo coronavírus.

A reportagem tentou contato com indígenas ligados à programas da Fundesporte, mas sem sucesso. Já a secretária especial de Cidadania do Governo do Estado, Luciana Azambuja, salientou que a Subsecretaria de Políticas Públicas para a População Indígena segue sem um titular há três meses. Em abril, Silvana Terena deixou a pasta pois pretende concorrer ao cargo de vereadora na eleição prevista para novembro.

Entre os municípios do Estado, Aquidauana (10), Miranda (9), Dois Irmãos de Buriti (7), Paranhos e Porto Murtinho (6) concentram 38 das 84 aldeias, segundo a Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena). Em Mato Grosso do Sul vivem indígenas das etnias Guarani; Kaiowá; Terena; Kadiwéu; Kinikinaw, Atikun, Ofaié e Guató.

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(Texto: Alison Silva)

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