23 outubro 2019, 13:44
Reprodução/Internet

Disputa por tráfico na fronteira chega a 162 assassinatos

O assassinatos em cidades de fronteira do Mato Grosso do Sul chegaram a 162 casos neste ano, conforme os dados da Sejusp (Secretária de Estado de Justiça e Segurança Pública) contabilizados de janeiro a julho.

O número alto é motivado pela guerra entre grupos que querem o controle do tráfico de drogas, como segundo o próprio secretário da pasta, Antônio Carlos Videira. No último final de semana, mais duas execuções foram registradas em Pedro Juan Cabellerro.

“Facções criminosas brasileiras disputam esse território, principalmente, em Pedro Juan Caballero, cidade vizinha de Ponta Porã, de quem vai comandar o comércio de maconha e cocaína.

Desde a morte do narcotraficante Jorge Rafaat nós temos essa disputa intensificada e os homicídios têm aumentado”, garantiu o secretário da Sejusp, Antônio Carlos Videira. Em 2018, no mesmo período, foram registradas 172 mortes.

Além de Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, o Estado tem outras cinco cidades gêmeas na fronteira com o Paraguai, Bela Vista, que é vizinha de Bella Vista Norte, Coronel Sapucaia, que fica ao lado de Capitán Bado, Mundo Novo, que tem Salto del Guairá como vizinha, Paranhos, com Ypejhú e Porto Murtinho, que é vizinha de Capitán Carmelo Peralta, e uma cidade gêmea na fronteira com a Bolívia, Corumbá com sua vizinha Puerto Quijarro.

E, ainda segundo o secretário, esse é outro fator que está ligado diretamente ao número alto de homicídios, justamente, pelo fato de nas cidades gêmeas muitos casos serem registrados nos municípios onde a pessoa vem a óbito e não na cidade onde ocorreu o fato.

“Porque as cidades gêmeas têm esse número, porque as vezes a pessoa sofre a ação no lado paraguaio, mas é socorrida e dá entrada em hospitais das cidades do Estado, como por exemplo, é baleado em Ypejhú, mas é socorrido e levado para Paranhos e quando vem a óbito, essa morte acaba sendo computado no local que morreu e não no local da ação”, explica.

E na busca por localizar os assassinos, as forças policiais do Estado mantêm contato com a polícia paraguaia e boliviana. “A polícia tem sob tudo buscado apurar isso com a polícia paraguaia e boliviana na busca pelos autores desses homicídios que ocorrem na fronteira, inclusive os países vizinhos estão extraditando brasileiros que estão envolvidos nesses homicídios ligados ao tráfico de drogas”, declara o secretário.

Execuções

Neste final de semana, pelo menos, mais duas execuções foram registradas nas cidades gêmeas, Ponta Porã e Pedro Juan Cabellerro. Gabriel Rosa Miranda, de 19 anos, foi morto em casa na rua dos Bandeirantes no bairro Altos da Gloria, em Ponta Porã e Juan Carlos Cabañas Arce, de 35 anos, foi executado na rua 15 de agosto do bairro Bernardino Caballero, em Pedro Juan Caballero.

Os dois homicídios ocorrem na tarde do último sábado (10). Gabriel foi surpreendido por pistoleiros a bordo de uma motocicleta que chegaram ao local e encontraram o portão da casa dele aberto, invadiram com a moto, entraram na casa e mataram a vítima com cinco tiros de pistola calibre 9mm.

Já, Juan Carlos, conforme o site Porã News, estava em uma oficina em Pedro Juan Caballero arrumando o veículo. Ele também foi executado com vários tiros de pistola 9mm na altura da cabeça e segundo testemunhas ele atuava no ramo de empréstimos e penhora de bens. (Rafaela Alves)

Veja também

Propriedades são entregues para 90 famílias depois de anos

Com espera de até três décadas, 90 famílias que chegaram a esperar até trinta anos …

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *