Instalação de equipamentos odontológicos deve começa na próxima semana, adiantou Marcelo Vilela
O abastecimento de medicamentos na rede municipal de saúde de Campo Grande já alcançou 83% com a chegada de novos insumos, informou o secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela. Apesar da entrega dos produtos ao município, a distribuição até as unidades de saúde passa por um processo de logístico e administrativo, o que vai fazer com que a disponibilização à população leve alguns dias.
Em entrevista ao O Estado, nesta sexta-feira (16), o secretário explicou que o intervalo entre o recebimento dos medicamentos e a chegada às unidades envolve uma logística considerada complexa. “A partir do momento que os medicamentos chegam a Campo Grande, existe toda uma engenharia de logística. São 74 UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e mais 10 unidades de urgência e emergência, sendo seis UPAs (Unidades de Pronto Atendimento)”, afirmou.
Segundo Vilela, as UPAs têm prioridade na distribuição devido ao maior fluxo de pacientes. Atualmente, quatro caminhões são responsáveis pela entrega dos medicamentos em toda a rede municipal.

Foto: Roberta Martins
Ainda, de acordo com o secretário, um dos principais desafios neste momento é a comunicação interna, para evitar desencontros de informação entre equipes e usuários. “Às vezes o servidor, o médico ou o enfermeiro falam que não tem o medicamento, mas tem. Por isso estamos discutindo e reforçando essa comunicação interna”, explicou.
Apesar das dificuldades, ele destacou o avanço no abastecimento. “Conseguimos chegar a 83% de abastecimento”, afirmou.
Licitações e medicamentos em falta
O secretário reconheceu que alguns itens seguem enfrentando entraves por se tratarem de processos da administração pública. “Alguns medicamentos sempre dão problema de licitação. Isso faz parte da dinâmica da administração pública”, disse.
Entre os tipos que ainda apresentam desabastecimento estão os psicotrópicos, segundo Vilela. “Alguns psicotrópicos ainda vão ficar em falta, mas eu já dei a autorização para fazer o pagamento e eles entregarem. Cerca de 83% da necessidade já está atendida, agora é distribuir”, afirmou.
Medicamentos básicos, como analgésicos, antitérmicos e anti-inflamatórios, a exemplo da dipirona e do ibuprofeno, estão disponíveis na rede. No entanto, o secretário alertou para problemas relacionados à apresentação dos medicamentos. “Às vezes não tem o comprimido, mas tem em gotas. O médico prescreve comprimido e o paciente acha que não tem. Por isso estamos elaborando uma nota informativa para orientar as equipes na hora da prescrição”, explicou.
Vilela acrescentou que os medicamentos que historicamente apresentam mais problemas de abastecimento são os psicotrópicos e os antibióticos. “O antibiótico depende de matéria-prima e, quando há falta, isso impacta diretamente o fornecimento”, disse.
Demanda odontológica
Sobre a demanda odontológica, o secretário informou que a instalação dos novos equipamentos deve começar já na próxima semana. Segundo ele, os recursos utilizados para a aquisição são provenientes de repasses do Governo do Estado, Federal e do Município.
“As medidas necessárias já foram tomadas e a instalação vai começar. Começou dos compressores agora essa semana que foi assinado e, a partir da próxima semana, os equipamentos começam a ser instalados”, afirmou.
Reestruturação da rede
Vilela também comentou sobre a necessidade de reestruturar o atendimento nas unidades básicas de saúde. “A população reclama porque precisa de acesso. Ela vai à unidade básica do bairro e, muitas vezes, não consegue atendimento. Então acaba indo para a UPA”, explicou. De acordo com o secretário, cerca de 70% dos atendimentos nas UPAs são de pacientes classificados como azul ou verde, ou seja, casos de menor gravidade.
“Esses pacientes acabam esperando até quatro horas, o que gera insatisfação. O desafio da gestão é fazer com que as unidades básicas atendam bem e que o usuário entenda o fluxo correto do sistema”, concluiu.
Hospital Municipal
Questionado sobre o projeto do Hospital Municipal, o secretário informou que o processo está em fase de licitação. Segundo ele, trata-se de um trâmite jurídico e administrativo que exige tempo.
“O projeto está na fase de licitação. Existe todo um trabalho jurídico que é feito e isso leva tempo. Depois que a licitação estiver concluída, será definida a empresa responsável, que terá prazos para iniciar e executar a obra, seguindo os procedimentos da administração pública”, explicou.
Projetos e prioridades da Sesau
Ao falar sobre projetos inovadores para a Secretaria Municipal de Saúde, Vilela destacou que a principal inovação, neste momento, é aumentar a eficiência com os recursos já disponíveis. “Projeto inovador é fazer mais com o mesmo recurso que a gente tem há cerca de dez anos. É aumentar a eficiência do dinheiro investido”, afirmou.
Por fim, Vilela ressaltou que a principal prioridade da gestão é reorganizar a rede e retomar o alinhamento com o Governo do Estado. “Esse alinhamento ficou perdido nos últimos anos. Para fazer política pública de saúde é preciso que governo federal, estadual e municipal estejam alinhados para ter benefícios tanto de inovação quanto de tecnologia. Isso é conduta de gestão”, concluiu.
Por Geane Beserra
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