Feijão e grão-de-bico ganham espaço em MS como alternativa sustentável e rentável ao produtor rural

Estado desponta para o cultivo de leguminosas secas voltadas ao mercado interno e à exportação - Foto: reprodução
Estado desponta para o cultivo de leguminosas secas voltadas ao mercado interno e à exportação - Foto: reprodução

As condições do clima no Estado é considerado como um dos principais trunfos para a produção

 

Mato Grosso do Sul reúne um conjunto de fatores que o posiciona como um Estado com alto potencial para o cultivo de pulses — grupo que engloba leguminosas secas como feijão, grão-de-bico, ervilha e feijão mungo. Tradicionalmente reconhecido pela força da soja e do milho, o Estado passa a enxergar nessas culturas uma oportunidade estratégica de diversificação produtiva, especialmente na segunda safra e no período de entressafra.

As condições climáticas são um dos principais trunfos. Com clima tropical, estação seca bem definida, boa disponibilidade hídrica e solos profundos e mecanizáveis, o território sul-mato-grossense favorece sistemas agrícolas eficientes. As pulses, em especial, apresentam maior eficiência no uso da água quando comparadas ao milho safrinha, tornando-se mais adaptadas ao regime hídrico da região.

A janela ideal de plantio ocorre, de modo geral, entre janeiro e abril, logo após a colheita da soja. Esse intervalo reduz os riscos associados ao déficit hídrico e permite melhor aproveitamento das áreas agrícolas, sem comprometer o calendário das culturas tradicionais.

Além do aspecto produtivo, o cultivo de pulses tem forte apelo ambiental. Por serem leguminosas, essas culturas realizam a fixação biológica de nitrogênio, diminuindo a necessidade de fertilizantes minerais. O resultado é a redução de custos, menor impacto ambiental e melhoria da qualidade física e biológica do solo. Nesse sentido, especialistas afirmam que as pulses estão alinhadas às demandas atuais por uma agricultura sustentável e de baixo carbono.

Do ponto de vista econômico, os benefícios também são relevantes. A inserção dessas culturas na rotação agrícola contribui para a diversificação da renda, redução de riscos produtivos e financeiros e quebra do ciclo de pragas e doenças. Em determinados cenários de mercado, algumas pulses podem apresentar margens superiores às do milho segunda safra, especialmente quando destinadas a nichos específicos ou ao mercado externo.

Esse cenário se torna ainda mais favorável com a publicação do Decreto nº 16.649/2025, que institui incentivos fiscais voltados às leguminosas. A medida reorganiza o tratamento tributário das operações comerciais, principalmente nas saídas interestaduais, por meio de crédito outorgado e alíquotas diferenciadas de ICMS. Na prática, o decreto reduz custos, traz maior previsibilidade tributária e aumenta a competitividade dos pulses produzidos em Mato Grosso do Sul frente a outros estados.

Envio internacionais

No mercado, o potencial é expressivo. A curto prazo, a exportação tende a ser o principal destino da produção, com destaque para países da Ásia, Oriente Médio, África e União Europeia. A médio e longo prazo, a consolidação da cadeia produtiva também deve ampliar a oferta ao mercado interno, acompanhando mudanças nos hábitos alimentares e o aumento da demanda por alimentos nutritivos.

Com infraestrutura logística, ambiente institucional favorável e escala produtiva, Mato Grosso do Sul desponta, assim, como um possível novo polo brasileiro na produção e exportação de pulses, unindo sustentabilidade, inovação e geração de renda no campo.

Expansão nos próximos anos

Atualmente, a área cultivada com pulses no estado ainda é considerada modesta, concentrada principalmente no feijão, além de cultivos pontuais de feijão mungo, ervilha e grão-de-bico. Os principais municípios produtores estão localizados nas regiões sul, sudoeste e central, onde há forte presença da agricultura empresarial, boa logística e maior adoção de tecnologia.

Apesar disso, as projeções indicam crescimento gradual da área e da produção nos próximos anos. O avanço deve ocorrer de forma estratégica, como complemento — e não substituição — às culturas tradicionais, impulsionado pela demanda global crescente, pelos incentivos fiscais e pela busca dos produtores por alternativas mais sustentáveis e rentáveis.

 

Por Ian Netto

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