Ter boa qualidade de vida é essencial para prevenção da doença, alerta oncologista
Como um dos tumores mais letais entre mulheres no mundo, a prevenção do câncer de mama precisa ultrapassar campanhas do Outubro Rosa, especialmente para mulheres com menos de 40 anos, quando a doença tende a ser mais agressiva e pode levar à morte de forma mais rápida.
De acordo com o oncologista Amauri Ferreira de Oliveira, o diagnóstico em mulheres mais jovens costuma ser mais grave, justamente por estar mais relacionado com fatores genéticos que hormonais, como acontece com mulheres em idade madura. Inclusive, cânceres descoberto antes do 40 são classificados como triplo-negativo por não ter receptores de estrogênio, progesterona e HER2.
As células cancerígenas deste subtipo se multiplicam com mais facilidade, tendo maior risco de metástase, ou seja, pode se espalhar para outras partes do corpo, o que também explica o maior índice de letalidade.
“O sistema imunológico das pacientes mais jovens é muito bom, então, para um tumor conseguir driblar essa imunidade, ele precisa ser mais forte e agressivo. Também tem o fator genético, com histórico familiar em que herdam a mudança genética que faz com que tenham essa tendência a ter um tumor mais agressivo”, explicou.
Além do fator genético, o médico alerta que há outros fatores de risco para o surgimento da doença, como obesidade, sedentarismo, distúrbios hormonais, diabetes e tabagismo, por influenciar diretamente na qualidade de vida. Para Amauri, ter uma boa qualidade de vida pode ditar quando e se o câncer irá aparecer, especialmente se há fatores genéticos que favoreçam a doença.
O êxito do tratamento para pacientes oncológicas depende do estágio em que o tumor está no momento da descoberta da doença e, por isso, é importante a realização de exames periódicos preventivos, como o ultrassom para mulheres com menos de 40 anos, e mamografia a partir dos 40.
Assim como o método usado para prevenção e detecção da doença, a idade para dar início e periodicidade para a realização dos exames também dependem da idade da mulher, seu histórico familiar, bem como se há anomalias diagnosticadas.
“Se tiver histórico familiar, os exames devem começar a partir da puberdade. Caso contrário, acima dos 18 anos, fazendo ultrassom de mama. Se os exames forem normais, precisam ser repetidos anualmente. Se houver alteração mamária, o ideal é fazer a cada seis meses”, disse.
Já em relação à taxa de letalidade, Amauri disse que varia, embora o câncer de mama seja o que mais mata mulheres em todo o mundo. De acordo com ele, a taxa de letalidade depende do estágio em que o tumor começa a ser tratado.
O médico reforça que ter uma boa qualidade de vida não colabora apenas para a prevenção da doença, mas também para a recuperação da paciente.
“A qualidade de vida e a prevenção primária são os fatores mais importantes, especialmente quando se tem histórico familiar. É preciso evitar obesidade, tabagismo e manter uma dieta adequada. Procurar ter qualidade de vida, porque, com certeza contribui para melhores resultados e menos índice de tumor”, finalizou.
Em nota, a Sesau (Secreteria Municipal de Saúde de Campo Grande) informou que, entre janeiro e novembro de 2025, 2.658 mulheres com menos de 40 anos realizaram exames de mamografia em instituições contratualizadas pela Prefeitura de Campo Grande. No entanto, ainda de acordo com a nota, o procedimento apenas é recomendável para mulheres com menos de 40 anos mediante critérios clínicos.
Aumento da mortalidade
Dados da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, da OMS (Organização Mundial da Saúde) apontam que, até 2050, o número de casos e mortalidade pela doença tendem aumentar em 83% na América Latina e 98,5% Caribe.
Ainda de acordo com a OMS, globalmente, o aumento será de 77%, passando de 20 milhões para 35,5 milhões de casos em 2050, sendo que os países com baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), serão os mais afetados.
“Esses países são os que estão mais despreparados para enfrentar o tsunami de casos que vai, com certeza, acontecer nessas regiões”, disse, Elizabete Weiderpass, diretora da agência, durante o seminário internacional Controle do Câncer no Século XXI: Desafios Globais e Soluções Locais, promovido pelo CEE (Centro de Estudos Estratégicos) da Fiocruz, em parceria com o INCA, no final de 2025.
Para frear a quantidade de casos, Weiderpass disse que um dos fatores mais importante é a prevenção e controle dos fatores de risco, como o consumo exacerbado de álcool.
“Seria muito importante a conscientização da comunidade científica, da comunidade médica e da população em geral sobre a participação do álcool, mesmo em quantidades modestas, como causa de câncer”, alertou.
Caso Isabel Veloso
O caso recente da influenciadora, Isabel Veloso, que morreu aos 19 anos, vítima de um linfoma de Hodgkin, acende um alerta entre os jovens sobre outros tipos de câncer que também podem acometer a saúde.
A influenciadora foi diagnosticada aos 15 anos, em 2021, quando iniciou a batalha contra o tumor que se desenvolve no sistema linfático. Nas redes sociais, Isabel ficou famosa por mostrar sua rotina, tratamento, internações, acumulando 3,7 milhões de seguidores, que receberam a notícia da morte de Isabel no sábado (10).
Ao longo dos anos, ela chegou a ser considerada curada no câncer, mas a doença entrou em metástase, quando os médicos afirmaram que já não tinha mais chances de cura, fazendo dela uma paciente terminal. Ela deixa marido e um filho de 1 ano.
Por Ana Clara Julião