Caso ocorreu em hospital da capital pernambucana e é alvo de representação no Conselho Regional de Medicina; médicas negam responsabilidade
Familiares da consultora de imagem Camila Nogueira, de 38 anos, denunciaram um suposto erro médico após a paciente ser submetida a uma cirurgia considerada de baixo risco e sofrer complicações graves em um hospital do Recife (PE). Desde o procedimento, realizado em agosto de 2025, Camila permanece em estado vegetativo, internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
De acordo com informações do Diario de Pernambuco, a família entrou com uma representação no Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) em dezembro do ano passado, solicitando o afastamento e a cassação do registro profissional de três médicas envolvidas no atendimento. As profissionais negam qualquer responsabilidade pelo estado da paciente.
Segundo o advogado Paulo Maia, um dos representantes legais de Camila, ela deu entrada no Hospital Esperança, no Centro do Recife, para realizar uma cirurgia de retirada da vesícula associada à correção de hérnia. Conforme a defesa, a paciente estava saudável e não apresentava doenças pré-existentes.
Ainda segundo o advogado, apesar do prognóstico favorável, Camila sofreu uma parada cardiorrespiratória durante o procedimento, o que teria provocado danos cerebrais irreversíveis. Desde então, ela apresenta quadro de consciência mínima, sem autonomia, acamada e dependente de suporte intensivo. “Ela não interage nem se comunica com o meio. Está traqueostomizada e com sonda urinária. Ela apresenta deformidades nos membros inferiores e superiores, além da cervical”, afirmou Maia ao Diario de Pernambuco.
Para a defesa da paciente, o quadro seria resultado de negligência e falhas graves da equipe médica, formada pela anestesista Mariana Parahyba e pelas cirurgiãs Clarissa Guedes e Danielle Teti. A cirurgia estava prevista para o início da manhã, mas, após atraso, a anestesista originalmente escalada teria sido substituída. De acordo com a representação, a nova anestesista não teria realizado a anamnese prévia e só teria preenchido a ficha anestésica durante o procedimento.
Os advogados afirmam que, desde o início da cirurgia, os monitores indicavam dificuldades respiratórias. A representação aponta que Camila apresentava episódios de apneia e que os alarmes teriam sido ignorados por mais de um minuto e 42 segundos, sem intervenção adequada. Ainda segundo o documento, a paciente teria permanecido em sofrimento respiratório por cerca de 15 minutos e sofrido parada cardíaca às 11h16, reconhecida clinicamente pela equipe apenas dois minutos depois.
Conforme o relato, Camila foi reanimada às 11h33, já com sequelas neurológicas permanentes, diagnosticadas como encefalopatia hipóxico-isquêmica grave e irreversível, causada pela falta de oxigênio no cérebro.
Na representação ao Cremepe, os advogados da família pedem o afastamento imediato das médicas e atribuem responsabilidades diferentes a cada uma. A cirurgiã-chefe Clarissa Guedes é apontada como responsável pela segurança global da paciente; a anestesista Mariana Parahyba é acusada de negligência, imprudência e imperícia; e a cirurgiã-auxiliar Danielle Teti é citada por suposta omissão diante do quadro de emergência.
Em nota, a defesa de Clarissa Guedes e Danielle Teti afirmou que “inexiste nexo de causalidade entre suas atuações e o dano gerado à paciente”, além de manifestar solidariedade à família. A advogada da anestesista informou que, por ora, não se manifestará sobre o caso.
Também por meio de nota, o Hospital Esperança declarou que prestou todo o suporte necessário após a intercorrência e reafirmou o compromisso com a segurança dos pacientes. O Cremepe informou que denúncias e sindicâncias correm em sigilo, conforme prevê a legislação.
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