Após caso no BBB 26, Humap explica quando crises convulsivas representam risco à saúde

Foto: Reprodução/Rede Globo
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Neurologista detalha causas, sinais de alerta e cuidados após episódios como o que levou à saída de Henri Castelli do reality

A saída do ator Henri Castelli do Big Brother Brasil 26, após apresentar dois episódios de crises convulsivas, trouxe o tema à atenção do público e ampliou a busca por informações sobre o quadro. A repercussão do caso levantou dúvidas sobre riscos, causas e condutas diante de situações semelhantes.

De acordo com o neurologista Gustavo Leopold Schutz Pereira, crises convulsivas estão relacionadas a uma alteração temporária da atividade elétrica cerebral. “Ela acontece quando, por alguma razão, a atividade elétrica do cérebro aumenta de forma excessiva e passa a ocorrer de maneira sincronizada. De forma simples, é como se fosse um ‘curto-circuito’ no cérebro, causado por excesso de eletricidade”, explica.

O especialista destaca que convulsão e epilepsia não são sinônimos. “Convulsão é apenas um dos tipos de crise epiléptica. Epilepsia significa uma tendência do cérebro a apresentar crises recorrentes. Para o diagnóstico, é necessário que a pessoa tenha pelo menos duas crises, com um intervalo mínimo de 24 horas entre elas”, afirma. Segundo ele, uma crise isolada não caracteriza, por si só, uma condição crônica.

As crises podem se manifestar de diferentes formas. Além dos episódios mais conhecidos, com rigidez muscular, tremores e perda de consciência, há situações em que apenas parte do cérebro é afetada. Nesses casos, podem ocorrer alucinações, formigamentos, fraqueza em um lado do corpo ou momentos em que a pessoa permanece com o olhar fixo e sem interação com o ambiente.

Entre as causas mais frequentes estão hipoglicemia, desidratação, infecções, abuso de álcool e privação de sono. Em contextos mais graves, o neurologista aponta a possibilidade de associação com traumatismo craniano, acidente vascular cerebral hemorrágico ou tumores. Ele ressalta ainda que fatores como estresse intenso, esforço físico extremo e uso de substâncias podem provocar crises mesmo em pessoas sem histórico prévio. “Estresse intenso, privação de sono, esforço físico extremo e uso de substâncias estão entre as principais causas de crises isoladas”, destaca.

Segundo o especialista, ambientes de confinamento e pressão psicológica podem funcionar como gatilho, sobretudo quando há predisposição. “Principalmente se a pessoa já possui alguma predisposição. Ambientes de confinamento, pressão emocional e mudanças bruscas na rotina podem atuar como gatilho para crises convulsivas”, explica.

A ocorrência de mais de uma crise em curto intervalo de tempo é considerada um sinal de alerta. “Quando a pessoa apresenta mais de uma crise em pouco tempo, isso indica que a causa não foi totalmente esclarecida ou tratada. Nesses casos, é fundamental aprofundar a investigação para descartar condições mais graves, como meningite, alterações químicas do sangue, trombose ou sangramento cerebral”, afirma.

Após um episódio convulsivo, é comum que a pessoa apresente confusão mental, sonolência e desorientação, quadro que tende a se resolver em até meia hora. “É natural que fique confusa, sonolenta, desorientada, com dificuldade para falar ou se movimentar. Esse estado costuma se resolver entre 20 e 30 minutos após o fim dos tremores”, explica o neurologista. Em alguns casos, pode ocorrer vômito, o que exige atenção à posição do corpo durante a recuperação.

Sobre a conduta após uma crise, o especialista orienta cautela. “Até que se tenha certeza de que não se trata de uma condição mais grave, é fundamental o afastamento das atividades. A pessoa não deve dirigir, manusear objetos cortantes nem permanecer desacompanhada”, afirma. Ele ressalta ainda a importância da avaliação médica, especialmente quando se trata da primeira crise da vida.

O diagnóstico busca identificar a causa do episódio e descartar alterações estruturais ou funcionais do cérebro, além de desequilíbrios no organismo. Entre os exames utilizados estão eletroencefalograma, tomografia ou ressonância magnética de crânio e exames de sangue.

Apesar do impacto dos episódios, o neurologista reforça que o tratamento permite controle e qualidade de vida. “Com o uso correto das medicações e acompanhamento médico, é possível viver sem crises e sem prejuízo da capacidade de realizar as atividades do dia a dia”, afirma. Ele também destaca a necessidade de combater estigmas. “Nove a cada cem pessoas terão uma crise epiléptica ao longo da vida e nunca mais apresentarão outra. Ter uma crise não significa que a pessoa tenha epilepsia”, esclarece.

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