O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone, nesta sexta-feira (9), com o chefe do Executivo da Espanha, Pedro Sánchez. Na ligação, os dois líderes trataram da aprovação do acordo entre o Mercosul e a UE (União Europeia) e da situação política e humanitária na Venezuela.
Durante a conversa, Lula agradeceu o empenho do governo espanhol para viabilizar o tratado comercial e reiterou a expectativa de que o acordo gere benefícios concretos para a população dos dois blocos. O presidente brasileiro classificou o avanço do entendimento como “um sinal muito positivo em defesa do multilateralismo e de regras comerciais previsíveis e estáveis” para as duas regiões.
Os mandatários também discutiram o recente ataque dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro. Ambos destacaram a importância da declaração conjunta divulgada por Brasil, Espanha, Chile, Colômbia, México e Uruguai, que rejeita a divisão do mundo em zonas de influência e o uso da força nas relações internacionais sem respaldo da Carta da ONU (Organização das Nações Unidas).
Outro ponto abordado foi a decisão da Assembleia Nacional da Venezuela de libertar prisioneiros políticos, entre venezuelanos e estrangeiros. A medida foi avaliada como um passo positivo no contexto de tensões no país.
De acordo com o Palácio do Planalto, Lula confirmou ainda o envio de 40 toneladas de insumos e medicamentos de hemodiálise para recompor os estoques de um centro de distribuição atingido por bombardeios norte-americanos no último dia 3 de janeiro. Lula e Sánchez também concordaram sobre a importância de organizar, nos próximos meses, na Espanha, uma nova edição do foro “Em Defesa da Democracia – Combatendo os Extremismos”, dando continuidade às reuniões realizadas em Santiago e Nova York.
A agenda internacional de Lula incluiu, ao longo da semana, telefonemas com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro; a presidente do México, Claudia Sheinbaum; e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, todos com foco na situação venezuelana. Segundo fontes do Planalto, o presidente ainda pretende ligar para a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, e para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o objetivo de manter canais de diálogo abertos em meio à instabilidade regional.
Acordo Mercosul–União Europeia

Vice-presidente Geraldo Alckmin – Foto: divulgação
Também nesta sexta-feira, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, comemorou a autorização do Conselho da União Europeia para a assinatura do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a UE, após mais de 25 anos de negociações. Segundo ele, o tratado fortalece o multilateralismo, amplia o comércio e aumenta o potencial de investimentos entre os dois blocos.
A expectativa do governo brasileiro é que a assinatura do acordo ocorra ainda em janeiro e que ele entre em vigor em 2026, após a aprovação final do Parlamento Europeu e dos países-membros do Mercosul. Alckmin afirmou que a proposta deve ser analisada pelo Congresso Nacional brasileiro ainda no primeiro semestre deste ano.
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