Lula critica iniciativa de Trump e diz que proposta busca criar “uma nova ONU” sob controle dos EUA

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta sexta-feira (23) a criação do Conselho de Paz anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e afirmou que a iniciativa tem como objetivo substituir a ONU (Organização das Nações Unidas) e enfraquecer o multilateralismo nas relações internacionais.

A declaração foi feita durante o 14º Encontro Nacional do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto), realizado em Salvador (BA). Segundo Lula, a proposta norte-americana representa uma tentativa de concentração de poder e de esvaziamento das instituições multilaterais.

“Está prevalecendo a lei do mais forte. A carta da ONU está sendo rasgada. E, em vez de a gente corrigir a ONU, o que reivindicamos desde 2003 com a entrada do México, do Brasil e dos países africanos, o que está acontecendo? O presidente Trump está fazendo uma proposta de criar uma nova ONU em que ele sozinho é o dono”, afirmou.

O Brasil foi um dos países convidados a integrar o Conselho de Paz lançado por Trump na quinta-feira (22). Inicialmente, o organismo teria como finalidade mediar uma solução para o conflito na Faixa de Gaza. No entanto, o texto de criação deixa em aberto a possibilidade de atuação em outras áreas de interesse global, o que, na avaliação de críticos, pode sobrepor atribuições hoje exercidas pelo Conselho de Segurança da ONU.

Lula reiterou que tem buscado articular uma resposta conjunta com outros líderes internacionais em defesa do multilateralismo. Nos últimos dias, o presidente afirmou ter mantido conversas com chefes de Estado da Rússia, China, México e Índia, além de representantes da Autoridade Palestina.

Durante o discurso, o presidente brasileiro também criticou a proposta dos Estados Unidos para a construção de um resort de luxo na Faixa de Gaza, afirmando que o projeto ignora a grave crise humanitária enfrentada pela população palestina.

“Mataram mais de 70 mil pessoas para dizer agora: nós vamos recuperar Gaza fazendo hotel de luxo. E o povo que morreu? E as pessoas pobres que estão lá? Vão morar onde?”, questionou.

O plano atribuído a Trump prevê a construção de cerca de 180 arranha-céus ao longo da faixa litorânea de Gaza, além de aproximadamente 100 mil unidades habitacionais em Rafah, no sul do território. A área seria dividida entre zonas residenciais, industriais e turísticas.

Em contraponto, Lula sugeriu que políticas habitacionais voltadas à população de baixa renda seriam mais adequadas para a reconstrução da região, citando o programa Minha Casa, Minha Vida.

“Poderia chamar o Brasil: ô Lula, vem aqui. Ensina para a gente como constrói casa para pobre”, declarou.

 

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