Siglas correm risco de morrerem no estado com a saída de políticos e com as movimentações para o pleito
2026 trará mudanças no panorama político para o brasileiro. Mesmo com as eleições ocorrendo apenas em outubro, as movimentações e os cochichos sobre quem se irá se candidatar, quem mudará de partido, alianças e desavenças já estão se materializando em meio a neblina.
O PSDB é um dos principais partidos apresenta a incerteza da existência, com um número cada vez menor de políticos filiados. Outras siglas também podem penar e há possibilidade de nem concorrerem, como é o caso do PSB e o Republicanos. Como alternativa, é provável que recorram a alianças e a federações, ou que priorizem o interior e cidades pequenas.
A união de partidos em federações é uma escolha que alguns partidos, como o professor de Ciência Política Ailton de Souza explica, fazem para que tenham maior visibilidade e tempo de tela na propaganda eleitoral. “A medida que o tempo de cada um dos partidos é único, então, pode haver uma disputa mais interna, vamos dizer assim, do espaço para que esses partidos possam pleitear os seus votos”.
O professor explica que os partidos menores tendem a ser engolidos pelos partidos maiores nessas alianças. Um exemplo disso seria a federação Brasil da Esperança, que une o PT, o PCdoB e o PV. As duas últimas legendas possuem pouca visibilidade enquanto que o PT seria o “partido de massa”, a sigla com maior visibilidade e que, inevitavelmente, atrai mais votos.
“O fato de estar em uma federação não elimina totalmente a imagem do partido. No entanto, aqueles partidos que estão federados, sempre tem um ou outro que tem uma maior expressão e aquele partido que talvez ganha mais espaço, fazendo com que os outros, percam um pouco do seu espaço no cenário político, na identificação do partido para o eleitor”, segundo Ailton.
Ainda, pessoas filiadas a legendas de peso e nome nos parlamentos e nas prefeituras possuem mais visibilidade e vantagem sobre aqueles que estão naquelas mais inexpressivas. Um caso que o professor relembra é quando o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi criado, muitos políticos e aspirantes se filiaram e conseguiram se eleger.
Em Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, atualmente do PP, é uma peça chave para outros partidos, com o MDB, o PSD, o Republicanos e o PSDB. O governador deve indicar candidatos para cada um dos partidos e aumentar a expressão no estado. Políticos já eleitos tendem a ter mais de 50% de chances de serem reelegidos, o que facilitaria a vitória dos apontados.
Os quatro são dependentes para se manterem de pé na região. O MDB, mesmo sendo um dos maiores no Senado e com nomes na Assembleia e na Câmara, depende da não candidatura da Simone Tebet (MDB) para que continuem com os três deputados estaduais e, caso ocorra, perderam a expectativa de aumentarem o número, devido a possibilidade de debandada.
O PSD, o Republicanos, o PSB e o Podemos são os partidos que correm risco de perderem seus representantes pelo estado no Congresso Federal em 2026. Com apenas uma figura cada, dependem do grupo governista para terem indicações.
Os deputados do PSDB têm previsão de saírem da sigla (como alguns já mostraram o interesse), porém não antes de 208 durante a janela partidária. Enquanto isso, estão impossibilitados de se transferirem de grupos. Ailton relembra que o governador, que era do PSDB, migrou para o PP e o ex-governador foi para o PL.
“Então ele [Azambuja] fortalece a sigla do PL no estado, com grandes chances de chegar ao Senado e faz com que o PSDB no estado perca a expressão. Embora tenha esse deputado federal pelo PSDB, há uma tendência de que possa haver uma redução ainda maior da expressão, à medida que um ou outro deputado pode não ser candidato à reeleição pela sigla”, explica o professor
Com o bloqueio do PCO, o partido se encontra próximo ao PSTU, que não possui representatividade no Congresso Nacional. Isso é refletido em tempo de propaganda eleitoral, repercussão, projeção e representatividade.
O especialista afirma que apenas em fevereiro de 2026 será possível decretar a morte de algumas legendas. “Eu acho que nesse momento alguns partidos vão tentar uma aliança, vão tentar ver o que vai dar e o que vai sobrar, aí nós podemos dizer daquele resíduo que vai sobrar se o partido continua, se o partido termina, se o partido deixa de existir”.
Por Lucas Artur
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