A família da modelo Eliza Samúdio, assassinada em 2010 pelo ex-goleiro Bruno Fernandes, manifestou indignação diante da repercussão sobre a localização de um passaporte em nome dela em Portugal. O documento foi encontrado na última sexta-feira (2) e encaminhado ao Consulado-Geral do Brasil em Lisboa. As circunstâncias de como o passaporte foi parar no país ainda não foram esclarecidas.
Em entrevista ao g1 MS, Maria do Carmo, madrinha de Bruninho — filho de Eliza — e representante legal de Sônia Moura, mãe da modelo, reforçou que não existe qualquer dúvida sobre a morte de Eliza e classificou a divulgação do caso como uma atitude desumana. Para a família, a situação representa mais um episódio de sofrimento.
“Se for um documento original, nós queremos ter ele. É uma lembrança da Eliza. Se for dela, Sônia tem o direito de ter ele de volta. Nós não temos paz. Uma crueldade o que fazem com Sônia e Bruninho”, afirmou Maria do Carmo.
Apesar de o corpo da modelo nunca ter sido localizado, a Justiça de Minas Gerais expediu a certidão de óbito em 2013. Segundo as investigações da Polícia Civil, Eliza desapareceu aos 25 anos, pouco tempo depois de dar à luz Bruninho, fruto do relacionamento com Bruno Fernandes. O ex-atleta foi condenado a 22 anos e três meses de prisão pelo assassinato da modelo.
Maria do Carmo também destacou que a família deseja ter acesso ao documento, caso seja comprovada sua autenticidade. “Tudo isso não passa de um factoide lamentável em cima da dor de dois seres humanos. Não há qualquer dúvida de que Eliza está morta”, declarou.
Caso Eliza Samúdio
Eliza Samúdio desapareceu em 2010 e seu corpo nunca foi encontrado. Ela tinha 25 anos e era mãe do filho recém-nascido do goleiro Bruno, com quem mantinha um relacionamento extraconjugal. Na época, Bruno era titular do Flamengo e não reconhecia a paternidade.
Em março de 2013, o ex-goleiro foi condenado por homicídio triplamente qualificado, sequestro e cárcere privado, recebendo pena de 22 anos e três meses de prisão pela morte e ocultação do cadáver de Eliza, além do sequestro do filho do casal.
A ex-mulher de Bruno, Dayanne Rodrigues, foi julgada no mesmo processo, mas acabou absolvida. Já Luiz Henrique Romão, o Macarrão, e Fernanda Gomes de Castro, ex-namorada do atleta, haviam sido condenados em novembro de 2012.
O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola, foi sentenciado a 22 anos de prisão. Em agosto de 2013, Elenilson da Silva e Wemerson Marques, o Coxinha, também foram condenados por sequestro e cárcere privado de Bruninho. Elenilson recebeu pena de três anos em regime aberto e Wemerson, dois anos e seis meses, também em regime aberto.
O crime
De acordo com a denúncia do Ministério Público, Eliza foi levada à força do Rio de Janeiro para um sítio de Bruno, em Esmeraldas (MG), onde permaneceu em cárcere privado. Em seguida, teria sido entregue a Marcos Aparecido dos Santos, que a matou por asfixia e ocultou o corpo, que nunca foi encontrado.
O bebê Bruninho foi localizado posteriormente com desconhecidos em Ribeirão das Neves (MG). Bruno progrediu para o regime semiaberto em 2018 e está em liberdade condicional desde janeiro de 2023. Após deixar a prisão, chegou a atuar novamente como jogador de futebol profissional.
Cm G1 MS