A defesa do ex-militar do Exército João Pedro Ferreira Barbosa, preso durante a Operação Chargeback, negou qualquer envolvimento do investigado em fraudes bancárias que resultaram em prejuízo superior a R$ 4 milhões a instituições financeiras. Em nota divulgada à imprensa, os advogados informaram que tiveram acesso integral ao inquérito policial apenas nesta quinta-feira (23) e afirmaram confiar na comprovação da inocência do cliente.
João Pedro foi preso em ação deflagrada pela Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros), que cumpriu 15 mandados de busca e apreensão e cinco de prisão em diversos bairros de Campo Grande, entre eles Jardim Aeroporto, Nova Campo Grande, Aero Rancho e Jardim Paraíso.
Segundo os advogados Henrique Cordeiro Spontoni e Lucas Ribeiro Gonçalves Dias, após a análise da documentação reunida pela polícia, a defesa sustenta que as supostas ligações atribuídas ao investigado com outros alvos da operação “não correspondem à realidade dos fatos”. Os esclarecimentos, conforme a nota, serão apresentados no decorrer da investigação e, se necessário, durante eventual processo judicial.
Ainda de acordo com a defesa, João Pedro atualmente atua como gerente de vendas, é casado, não possui antecedentes criminais e sempre exerceu atividades profissionais lícitas. Os advogados afirmam que irão demonstrar que ele não integra organização criminosa nem teve participação consciente em qualquer esquema fraudulento. A defesa também ressaltou que atuará para garantir o respeito aos direitos fundamentais do investigado, especialmente a presunção de inocência e o devido processo legal, além de declarar confiança no trabalho do Judiciário.
Investigação
Conforme as investigações, a associação criminosa atuava desde 2023 aplicando fraudes envolvendo máquinas de cartões e cartões de crédito, próprios ou de terceiros. O grupo simulava vendas e solicitava a antecipação dos valores às instituições financeiras antes que os titulares das contas percebessem o golpe.
O delegado Pedro Pillar Cunha explicou que os investigados criavam empresas de fachada para adquirir máquinas de cartão ou realizar supostas vendas pela internet. Os produtos anunciados variavam de alimentos a veículos.
“Eles se passavam por vendedores, utilizavam cartões de crédito de terceiros e realizavam compras para eles mesmos. Depois, o dono do cartão solicitava o estorno, alegando desconhecer a compra. A instituição financeira tentava contato com o suposto vendedor, mas eles já haviam desaparecido com o dinheiro”, detalhou o delegado.
Segundo a polícia, os valores obtidos com os golpes já ultrapassam R$ 4 milhões, com prejuízos registrados em diversos bancos. Para lavar o dinheiro, os integrantes do grupo adquiriam imóveis e veículos importados.
Na operação realizada na última terça-feira (20), além das prisões e buscas, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 2 milhões em contas bancárias dos investigados. Também foram apreendidos uma pistola Glock com numeração adulterada, carregadores, cerca de 100 munições calibre 9 mm, oito máquinas de cartão de crédito, aproximadamente 40 cartões em nome de terceiros, um veículo importado, além de celulares, computadores e outros objetos.
Além de João Pedro Ferreira Barbosa, outros suspeitos foram presos durante a operação. O caso segue sob investigação.
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