Falta de planejamento da Funai atrapalha trabalho das prefeituras
Passados três dias do início da primeira etapa de vacinação contra a COVID19, a imunização dos indígenas, grupo de risco prioritário neste primeiro momento, ainda enfrenta dificuldades. Prefeitos e autoridades sanitárias de algumas das 29 cidades que precisam imunizar 46.180 indígenas com as doses da CoronaVac destinadas ao Estado reclamam dos problemas de logística enfrentados para dar vazão à imunização.
Conforme o publicado na edição de quarta-feira (21) do jornal O Estado, a previsão do DSEI (Distrito Sanitário Especial Indígena) era de que todos os indígenas estariam imunizados até hoje, mas a meta não deve se concretizar.
A principal dificuldade é estabelecer o planejamento em conjunto com a Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena), da Funai (Fundação Nacional do Índio). Até quarta-feira (20), por exemplo, a autarquia federal não havia iniciado a vacinação em boa parte dos municípios contemplados com doses para imunização dos indígenas. O problema é recorrente em outros estados.
“Existe uma certa burocracia, uma necessidade de se planejar muito os acessos às aldeias e as negociações com as lideranças. Mas dependemos também do governo federal. Mas nossa secretaria (da Saúde) conseguiu avançar muito”, disse Edson Moraes, prefeito de Miranda, cidade com 8 mil indígenas, 800 deles com mais de 60 anos e que tem 3.720 nativos para imunizar.
Edinaldo Luiz de Melo, mandatário de Amambai, cidade com 8,8 mil nativos, com 5.572 deles a serem imunizados, também admitiu que o planejamento para atender as aldeias foi mais lento por conta de entraves burocráticos.
“Quem as lideranças indicou, nós levamos para a cidade e vacinamos. Mas para entrar nas aldeias, precisa de apoio logístico da União. Tivemos resposta deles e acredito que toda a carga será aplicada até o final da semana”, esclareceu Melo.
Uma liderança indígena ouvida pela reportagem e que preferiu não se identificar disse que a Sesai, motivo de atrito entre os nativos e o governo federal, se não dificultou o trabalho dos municípios, não ajudou. “Não foi um trabalho integrado. Mas entendemos até, foi tudo em cima da hora, está tudo corrido”, disse.
Procurada pela reportagem, a Funai não respondeu até a conclusão desta reportagem. A Secretaria de Estado de Saúde disse que divulgará um balanço da vacinação no Estado apenas hoje (22).
No nível municipal, as informações estão desencontradas. Sem citar números, 13 das 29 cidades que responderam à reportagem admitiram que não foram aplicadas até o início da tarde de ontem (21) ainda todas as doses destinadas aos indígenas.
A segunda maior população indígena do Brasil fez com que Mato Grosso do Sul recebesse um número total de doses da vacina (quase 159 mil) maior que a de unidades da Federação mais populosas. Somente Amazonas e Roraima receberam mais ampolas do imunizante destinadas aos nativos, proporcionalmente ao total no país.
CIDADE INDÍGENAS A SEREM IUMUNIZADOS
Amambai 5.572
Anastácio 315
Antônio João 789
Aquidauana 3.720
Aral Moreira 474
Bela Vista 213
Brasilândia 65
Caarapó 2.412
Coronel Sapucaia 1.845
Corumbá 86
Dois Irmãos do Buriti 1.510
Douradina 464
Dourados 11.600
Eldorado 260
Iguatemi 105
Japorã 2.568
Juti 298
Laguna Carapã 512
Maracaju 189
Miranda 5.600
Nioaque 996
Paranhos 2.516
Ponta Porã 231
Porto Murtinho 728
Rio Brilhante 29
Rochedo 3
Sete Quedas 49
Sidrolândia 1.510
Tacuru 1.521
TOTAL 46.180
Texto: Rafael Ribeiro