Usar reserva para pagar impostos à vista pode levar famílias ao cheque especial e rotativo do cartão

Foto: Divulgação
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IPVA e IPTU exigem planejamento para não virar dívida no início do ano

No terceiro mês do ano, as dívidas do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) ainda assombram os contribuintes. Entre gastos com matrícula escolar, reajustes de mensalidades, chegam também duas despesas previsíveis que ainda pegam muita gente desprevenida.

Em entrevista ao jornal O Estado, Rodolfo Takahashi, CEO da Gooroo Crédito, explica que a falta de planejamento financeiro é o principal problema enfrentado pelos contribuintes na hora de quitar esses débitos nos primeiros meses do ano.

“O erro mais comum não é a escolha entre pagar à vista ou parcelado, mas a falta de avaliação do impacto no fluxo de caixa dos meses seguintes. Muitos brasileiros tratam esses impostos como ‘despesas surpresa’, quando, na verdade, são previsíveis. O maior deslize é usar toda a reserva financeira para garantir um desconto, geralmente entre 3% e 9%, e, logo depois, precisar recorrer ao cheque especial ou ao cartão de crédito rotativo para despesas básicas”, explica Takahashi.

Dados recentes da CNC (Confederação Nacional do Comércio) mostram que o endividamento das famílias brasileiras continua elevado, com grande parte das dívidas concentradas justamente no cartão de crédito.

Prioridade

Takahashi também orienta que, diante de um orçamento apertado, a prioridade deve ser o pagamento das dívidas com juros mais elevados. “A regra de ouro é simples: pague primeiro o que tem juros mais altos. No topo da lista devem estar o cartão de crédito e o cheque especial”, afirma.
Ele ressalta que, embora o atraso no pagamento de IPVA e IPTU gere multas e juros, esses encargos costumam ser menores do que os cobrados pelas instituições financeiras.

“Portanto, se o orçamento colapsar, o trabalhador deve priorizar a quitação das dívidas mais caras para evitar que o endividamento se torne insustentável ao longo do primeiro trimestre”, explica.

Solução

Uma estratégia simples para evitar o aperto financeiro no início do ano é criar uma reserva específica para o pagamento desses tributos. Takahashi sugere que as famílias adotem o chamado provisionamento, uma prática comum em planejamento financeiro.

“O método mais eficiente é somar o valor total do IPVA e do IPTU, dividir por 12 meses e incluir esse custo no orçamento mensal já a partir de março. Dessa forma, quando chegar o próximo início de ano, o valor já estará reservado”, afirma.

Segundo ele, a organização pode ser feita com ferramentas simples. “Pode ser uma planilha, um aplicativo de controle financeiro ou até um ‘envelope digital’ dentro da conta bancária. O mais importante é a mudança de mentalidade”, destaca.

Para o especialista, encarar esses tributos como despesas fixas é o caminho para evitar endividamento. “É preciso tratar o imposto como uma conta recorrente, assim como luz, água ou internet, em vez de um choque concentrado em janeiro. Isso reduz a necessidade de recorrer a créditos caros”, conclui.

 

Ian Netto

 

 

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