Mostra Itinerante Cinema de Sala 2026 leva sessões gratuitas a praças de Corumbá, Ladário e Puerto Quijarro até 24 de janeiro
Praças e espaços públicos de cidades pantaneiras e de fronteira estão se transformando em salas de cinema em Mato Grosso do Sul. Com estrutura de tela inflável, sistema de som profissional e assentos acessíveis, sessões gratuitas de cinema a céu aberto vêm aproximando o audiovisual de públicos que, muitas vezes, estão fora do circuito tradicional de exibição.
A iniciativa faz parte da Mostra Itinerante Cinema de Sala 2026, projeto viabilizado por meio da Política Nacional Aldir Blanc. Inspirada na trajetória do cineclube Cinema de Sala, que atua desde o fim da década de 1990, a mostra aposta no cinema como experiência coletiva, capaz de estimular encontros, conversas e reconhecimento das histórias locais.
Com investimento de R$ 100 mil, o projeto ganhou fôlego técnico e estrutural para ocupar ruas e praças. Até o dia 24 de janeiro, moradores de Corumbá, Ladário e também da cidade boliviana de Puerto Quijarro poderão acompanhar sessões ao ar livre, sempre às 19h, com filmes produzidos no Mato Grosso do Sul e na região, que abordam o cotidiano, a memória e a vida na fronteira.
Idealizador da mostra, Salim Haqzan avalia que o apoio da política pública foi fundamental para ampliar uma atuação que começou de forma independente e comunitária.
“Esse recurso permitiu cuidar da qualidade técnica, da acessibilidade e de cada detalhe da exibição. A ideia é levar o cinema para a rua, transformar praças em salas e criar um espaço onde as pessoas possam se ver nas histórias e conversar sobre elas”, afirma.
O Cinema de Sala teve início no fim dos anos 1990, com exibições simples, e se consolidou em 1999, quando Salim passou a atuar na Casa de Cultura de Jabucarque, em Corumbá. Desde então, o projeto percorreu escolas, comunidades rurais do Pantanal, Apaes e turmas da Educação de Jovens e Adultos, sempre com foco no diálogo com o público.
“Comecei exibindo filmes de forma muito básica, e aquele espaço virou um ponto de encontro. O cinema sempre foi, para mim, um lugar de troca”, relembra.
Fronteira como espaço cultural
A circulação da mostra por Corumbá, Ladário e Puerto Quijarro parte da compreensão da fronteira como um território de convivência diária. Muitos dos filmes dialogam diretamente com essa realidade e já contam com legendas em espanhol, ampliando o acesso do público boliviano.
“A fronteira está presente no cotidiano das pessoas. O cinema entra como mais um elemento de aproximação e diálogo”, explica Salim.
A programação reúne dez produções, entre ficções, documentários e obras experimentais, com temas ligados ao Pantanal, à memória e às narrativas regionais. Após as sessões, o público é convidado a participar de conversas com diretores, atores e documentaristas. A condução das exibições fica a cargo do ator e cineasta Breno Moroni.
Acessibilidade e impacto local
O projeto foi desenvolvido por Salim Haqzan em parceria com o produtor executivo Diego Cafola, com atenção especial à acessibilidade. Cerca de 90% dos filmes exibidos contam com tradução em Libras, enquanto os demais possuem legendas. Também são disponibilizados fones para pessoas com hipersensibilidade auditiva, além da participação de profissionais PCDs na equipe, inclusive nas ações de divulgação.
A realização da mostra também movimenta a economia local, com parcerias envolvendo restaurantes, transporte e apoio das prefeituras, especialmente em Corumbá e Puerto Quijarro.
Para a coordenadora do Escritório Estadual do Ministério da Cultura em Mato Grosso do Sul, Carolina Garcia, a Política Nacional Aldir Blanc representa um avanço significativo para o setor cultural.
“A Aldir Blanc ampliou o acesso ao fomento cultural no estado e permitiu que trabalhadores da cultura chegassem a diferentes cidades. São milhares de projetos atendendo a população nos 79 municípios”, destaca.
No primeiro ciclo da política, referente aos repasses de 2023 e 2024, mais de R$ 41 milhões foram destinados a estados e municípios sul-mato-grossenses, com alto índice de execução. Para 2025, a expectativa é de novos repasses que podem ultrapassar R$ 150 milhões.
“Espero que as pessoas se reconheçam na tela. Quando alguém se vê representado, passa a valorizar e proteger suas próprias histórias”, avalia Salim.
A Mostra Itinerante Cinema de Sala 2026 conta com investimento da Política Nacional Aldir Blanc, do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, com operacionalização do Governo do Estado, via Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul.
Serviço
Mostra Itinerante Cinema de Sala 2026
Sessões gratuitas – sempre às 19h
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19/01 – Largo da Fortaleza
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20/01 – Quadra do Generoso
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21/01 – Praça da Nova Corumbá
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22/01 – Esplanada da NOB
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23/01 – Praça Nossa Senhora de Fátima
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24/01 – Praça da Cohab
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