Creches e transporte público entram na pauta do setor produtivo da Capital

Foto: Nilson Figueiredo
Foto: Nilson Figueiredo

Entidades apresentaram demandas voltadas à melhoria das condições de quem trabalha e frequenta a região

 

Transporte público, dificuldade de acesso à educação infantil e problemas de infraestrutura urbana entraram na pauta do setor produtivo de Campo Grande. As demandas foram apresentadas a vereadores durante encontro promovido pela CDL Campo Grande e pela FCDL-MS, que abriu o diálogo de 2026 entre o varejo e o Legislativo municipal.

No documento, as entidades apontam gargalos no transporte coletivo, déficit de acesso à creches, fragilidades na segurança pública e falhas na zeladoria urbana, fatores que, segundo o setor, impactam o funcionamento das empresas e a geração de empregos.

O levantamento apresenta indicadores sobre o peso do varejo na economia. Em Mato Grosso do Sul, 46,03% dos CNPJs ativos pertencem ao comércio e serviços. Na Capital, o segmento concentra 82,3% das empresas em funcionamento, dentro de um universo de mais de 174 mil CNPJs ativos em janeiro de 2026.

Segundo o presidente da CDL Campo Grande, Adelaido Figueiredo, a proposta do encontro foi estabelecer uma agenda técnica permanente entre o setor produtivo e o Legislativo.

“Nosso objetivo é construir essa conexão com a Câmara Municipal, levando dados concretos sobre as dificuldades enfrentadas pelo comércio, para que as decisões públicas estejam alinhadas com a realidade de quem gera emprego e renda”.

Centro e desafios de quem trabalha e consome

Vendedora na Rua 14 de Julho, Francione Miranda, 38 anos, mãe solo de dois filhos, relata que a falta de acesso à educação infantil impacta diretamente sua permanência no mercado de trabalho.

“Meu filho entra na creche às sete da manhã, mas eu saio do trabalho às seis da tarde. Agora que ele completou quatro anos, só fica meio período. Ficou pior ainda. Precisei pagar alguém para cuidar dele e isso mexe muito no orçamento”, contou.

Segundo ela, mesmo com apoio de uma ONG, os custos extras são inevitáveis. “Eu gasto com lanche, material, mochila. Só isso deu quase R$ 600. Eles ajudam muito, mas para quem é mãe solo, é pesado. Se existisse uma creche no Centro, que priorizasse quem trabalha aqui, faria toda a diferença”, afirmou.

A ampliação do atendimento na educação infantil aparece no documento da CDL como uma das medidas apontadas para garantir mão de obra ao comércio, especialmente entre mulheres chefes de família.
Outro ponto recorrente é o transporte público. A aposentada Creuze Maria, 74 anos, afirma que o deslocamento até a região central é um dos principais obstáculos para quem depende de ônibus.

“Eu preciso pegar dois ônibus para chegar aqui. Um vai até o terminal e outro vem para o Centro. Demora muito, quase uma hora e, quando passa, vem lotado. Às vezes passa um vazio e outro cheio, tudo errado”, relatou.

A criação de linhas diretas entre bairros e a área central é uma das propostas apresentadas pelas entidades, com o objetivo de reduzir o tempo de deslocamento de trabalhadores e facilitar o acesso dos consumidores ao comércio.

Participação do Legislativo

O vereador Papy, presidente da Câmara Municipal, destacou que parte das demandas não depende de novas legislações, mas de gestão mais eficiente.

“A Câmara tem atuado como interlocutora dessas pautas, porque muitas delas estão ligadas à organização da cidade e interferem diretamente no funcionamento do comércio”, disse.

Para o advogado Lucas Rosa, que participou do encontro representando a AAdv-I (Associação dos Advogados Independentes), decisões que afetam custos operacionais e a sustentabilidade das empresas precisam ser discutidas de forma ampla.

“A sociedade civil organizada quer participar. Todos defendem serviços públicos de qualidade, mas isso exige diálogo com quem mantém a atividade econômica da cidade”, afirmou.

 

Por Djeneffer Cordoba e Gustavo Nascimento

Confira as redes sociais do Estado Online no Facebook Instagram

 

Leia mais

Inflação usada no reajuste do aluguel sobe 0,41% em janeiro, mas cai no acumulado do ano

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *