Presidente interina da Venezuela propõe cooperação com os EUA após captura de Maduro

Presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez - Foto: reprodução
Presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez - Foto: reprodução

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, divulgou na noite de domingo (4) uma carta aberta na qual propõe uma agenda de cooperação com os Estados Unidos. No texto, ela defende uma relação “equilibrada e respeitosa” entre os dois países, baseada na igualdade soberana, no direito internacional e no princípio da não interferência.

“Estendemos um convite ao governo dos EUA para trabalharmos juntos em uma agenda de cooperação, orientada para o desenvolvimento compartilhado, dentro da estrutura do direito internacional, e para fortalecer uma coexistência comunitária duradoura. Nossos povos e nossa região merecem a paz e o diálogo, não a guerra”, escreveu Delcy.

Delcy Rodríguez assumiu o comando interino da Venezuela após a captura do ditador Nicolás Maduro por forças norte-americanas, na madrugada do dia 3 de janeiro. A operação incluiu ações simultâneas em diversas regiões do país, inclusive na capital, Caracas.

Pressão de Trump e cenário de tensão

Horas antes da divulgação da carta, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Delcy “pagaria um preço ainda maior que Maduro” caso não cooperasse com Washington. O republicano declarou que pretende administrar temporariamente a Venezuela até que uma transição de governo seja concluída, reforçando que empresas petrolíferas norte-americanas passarão a operar no país.

Na mensagem, Delcy se dirige diretamente a Trump, afirmando que a paz e o diálogo devem prevalecer. Ela reforça que a posição defendida agora é a mesma que vinha sendo sustentada por Maduro e que reflete, segundo ela, a vontade do povo venezuelano.

Maduro foi capturado junto da esposa, Cilia Flores, enquanto dormia em um abrigo na Venezuela. O casal foi levado por um helicóptero das Forças Armadas dos EUA até o USS Iwo Jima, navio de guerra da Marinha norte-americana posicionado no mar do Caribe. De lá, seguiram para Nova York.

A operação ocorreu após cerca de quatro meses de escalada de tensão militar entre os dois países. Em setembro do ano passado, Washington iniciou uma ofensiva naval contra o narcotráfico no Caribe e no Pacífico, próximo às costas da Venezuela e da Colômbia. Os Estados Unidos acusam Maduro de liderar cartéis responsáveis pelo envio de drogas ao território norte-americano.

Maduro deve ser apresentado à Justiça dos EUA nesta segunda-feira (5). Segundo a procuradora-geral norte-americana Pamela Bondi, ele responde por acusações de conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, além de conspiração para uso desse armamento contra os Estados Unidos.

Outras cinco pessoas também foram indiciadas no processo, entre elas Cilia Flores e Nicolás Ernesto Maduro Guerra, conhecido como “Nicolasito”, filho único do casal. A lista inclui ainda o ministro do Interior, Justiça e Paz da Venezuela, Diosdado Cabello, o ex-ministro Ramón Rodríguez Chacín, e Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como “Niño Guerrero”.

A carta de Delcy Rodríguez marca a primeira manifestação oficial do governo interino venezuelano após a captura de Maduro e sinaliza uma tentativa de abertura diplomática em meio a um dos momentos mais tensos da relação entre Venezuela e Estados Unidos.

 

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