Plano de Trump para redirecionar petróleo venezuelano irrita China e provoca queda nos preços internacionais

Foto: reprodução/redes sociais
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Os preços globais do petróleo registraram queda de cerca de 1% nesta quarta-feira (7) após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre um acordo com a Venezuela para o envio de petróleo bruto sancionado aos EUA. O anúncio provocou forte reação da China, principal compradora do petróleo venezuelano, que acusou Washington de intimidação e violação do direito internacional.

Segundo o governo norte-americano, Washington teria persuadido Caracas a desviar carregamentos destinados a Pequim e enviar até US$ 2 bilhões em petróleo aos EUA. O movimento integra a estratégia de Trump de assumir controle das vastas reservas venezuelanas após a captura de Nicolás Maduro, ação que desencadeou tensões diplomáticas globais. Delcy Rodríguez, presidente interina venezuelana, equilibra críticas ao “sequestro” de Maduro com a necessidade de cooperar sob ameaças explícitas da Casa Branca.

Trump afirmou que os EUA irão refinar e vender até 50 milhões de barris de petróleo retidos por sanções internacionais. O lucro, segundo ele, ficará sob seu controle direto como presidente, para ser distribuído — conforme sua declaração — ao povo da Venezuela e dos Estados Unidos. Fontes da estatal PDVSA confirmaram à Reuters que as negociações avançam, embora Caracas ainda não tenha formalizado o acordo.

A medida deve redirecionar cargas originalmente destinadas à China, que importou em 2025 cerca de 389 mil barris por dia do petróleo venezuelano. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, classificou a iniciativa como “uso descarado da força” e afirmou que os EUA estão “se desfazendo dos recursos de outro país em benefício próprio”. Ele acusou Washington de ferir a soberania da Venezuela e prejudicar os direitos do povo local. Analistas preveem que a China aumentará compras do Irã e da Rússia para compensar a possível perda do fornecimento venezuelano.

A captura de Maduro no último sábado, em operação realizada por forças especiais norte-americanas em Caracas, permanece cercada de dúvidas. O exército venezuelano divulgou 23 mortos, enquanto Cuba falou em 32 baixas entre militares e agentes de inteligência. Foi a maior intervenção dos EUA na América Latina desde a queda de Manuel Noriega, no Panamá, em 1989.

A oposição venezuelana acompanha o desdobramento da crise com cautela. Maria Corina Machado, que deixou o país para receber o Prêmio Nobel da Paz, deseja retornar e afirma que a oposição venceria com facilidade uma eleição livre. Apesar disso, ela procura evitar confrontos públicos com Trump, a quem dedicou o prêmio e com quem busca manter diálogo político. Proibida de disputar as eleições de 2024, a oposição afirma que seu aliado Edmundo González venceu o pleito de forma esmagadora — resultado reconhecido por EUA e observadores internacionais.

Com tensões geopolíticas elevadas, críticas de grandes potências e aumento esperado da oferta no mercado internacional, a incerteza segue afetando os preços do petróleo e ampliando a pressão sobre o cenário político e econômico na Venezuela.

 

Com informações do SBT News

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