Yeltsin projeta ciclo até Los Angeles 2028

Foto: Marcelo Hernandez/Santiago 2023/Photosport
Foto: Marcelo Hernandez/Santiago 2023/Photosport

Principal nome do esporte de MS cita desafio em manter motivação

Medalhista de ouro e prata no Mundial de Paratletismo de 2025, o sul-mato-grossense Yeltsin Jacques encerra mais uma temporada vitoriosa da carreira consolidando o início do ciclo rumo aos Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028. Aos 34 anos, o atleta da classe T11 (deficiência visual) soma conquistas expressivas, mas destaca que o maior desafio hoje é manter a motivação após já ter alcançado os principais títulos do paradesporto.

Bicampeão paralímpico, campeão mundial, parapan-americano e dono de recordes, o atleta afirma que, hoje, o maior desafio não é técnico, mas mental. Manter-se motivado após tantas conquistas exige um novo tipo de cobrança pessoal e coletiva.

“Um dos principais desafios para mim hoje é a automotivação. Sou um atleta que já ganhou tudo nas provas que disputo. Então, o desafio é me manter motivado e manter a equipe motivada. A gente gerencia uma equipe grande, com os meus dois guias que são excelentes, minha esposa, comissão técnica, fisioterapeutas, médico, patrocinadores. Eu preciso estar bem para ser a inspiração desse time”, explicou.

Mesmo assim, conquistar um título mundial logo no primeiro ano do ciclo até 2028 trouxe sinais positivos e permitiu uma leitura mais clara do cenário internacional. “Ganhar o Mundial já no primeiro ano do ciclo mostra que a gente está bem. Também foi uma oportunidade de ver como estão os adversários, especialmente o japonês Kenya Karasawa. Hoje eu me tornei um alvo, no sentido positivo, e isso é bom. Ele encontrou uma forma de me ganhar e eu ja estou estudando como ganhar dele. A gente estuda, analisa, ajusta e segue evoluindo”, afirmou.

Pensando em Los Angeles, o atleta projeta um ciclo de ajustes finos, principalmente por conta da idade. Yeltsin completou 34 anos durante o Mundial e chegará aos Jogos de 2028 com 37. “O volume de treino segue muito alto, a intensidade continua extrema, mas o cuidado com a recuperação precisa ser ainda maior. Hoje o investimento em estrutura, fisioterapia, suplementação e periodização é fundamental. A idade chega, e o cuidado com o corpo faz toda a diferença”, disse.

Planos traçados

Beneficiário do Programa Bolsa Atleta do Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Fundesporte, Yeltsin aponta o programa como um divisor de águas em sua carreira. Em 2025, o Bolsa Atleta completa dez anos no Estado, período que coincide com a retomada definitiva do atleta ao cenário de alto rendimento representando MS.

“Eu tive que sair do Estado em 2012 por falta de apoio. Voltei em 2018 graças ao Bolsa Atleta. Poder treinar perto da família, estar bem, feliz e com estrutura fez toda a diferença. Esse programa deu direcionamento não só para os atletas, mas também para empresários e para o esporte como um todo”, afirmou.

Já de olho na próxima temporada, Yeltsin inicia 2026 com uma programação intensa. O planejamento prevê um período de preparação em altitude na Colômbia, já em fevereiro, seguido por competições e treinos na Europa, como parte da construção do ciclo até os Jogos Paralímpicos de Los Angeles, em 2028. A estratégia é aproveitar esse início de ciclo para observar adversários, ajustar aspectos técnicos e físicos e buscar evolução, especialmente nos 5.000 metros, prova que tende a ser uma das mais disputadas do próximo ciclo paralímpico.

‘Foi um ano espetacular’

No Mundial realizado em Nova Déli, na Índia, Yeltsin conquistou a medalha de ouro nos 1.500 metros, com recorde da competição, e ficou com a prata nos 5.000 metros, abrindo o novo ciclo paralímpico com pódio duplo. Para ele, o resultado confirma que o trabalho segue no caminho certo, mesmo diante das dificuldades enfrentadas ao longo da temporada.

“Foi um ano espetacular, um ano muito bacana, com grandes vitórias e grandes conquistas. Tivemos dificuldades, principalmente na Índia, com clima, alimentação e pouco tempo de adaptação. No 5.000 metros não saiu como a gente queria, mas foi uma boa prova e conseguimos trazer a prata. Já nos 1.500 metros, alguns dias depois, mais adaptado ao fuso e às condições, foi uma prova espetacular, com recorde do campeonato mundial”, avaliou.

Além do desempenho internacional, 2025 teve um significado especial para o atleta por marcar sua primeira participação em uma competição nacional de alto nível em Campo Grande. Yeltsin competiu no Meeting Paralímpico, venceu o Circuito Biomas, o Campeonato Brasileiro e utilizou provas locais como parte da preparação para o Mundial.

“Correr o Meeting Paralímpico em Campo Grande foi algo que me marcou muito. Nunca tinha tido a oportunidade de disputar uma competição nacional desse nível em casa. Foi a primeira vez e fiquei muito feliz. Também participei de corridas de rua como forma de treino e preparação, então foi um ano que fechamos com chave de ouro”, destacou.

O encerramento da temporada veio com reconhecimentos fora das pistas. Yeltsin foi eleito melhor atleta paralímpico do ano no Prêmio Surto Olímpico e voltou a constar no Guinness Book como recordista mundial dos 5.000 metros, feito que ele já havia alcançado anteriormente.

Por Mellissa Ramos

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