Paradesporto: Judô MS emplaca atletas entre melhores de ranking nacional

Hellen Cordeiro, de branco, no Campeonato Americano IBSA, onde foi prata
Local: Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, em São Paulo - Foto: Taba Benedicto/ CBDV
Hellen Cordeiro, de branco, no Campeonato Americano IBSA, onde foi prata Local: Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, em São Paulo - Foto: Taba Benedicto/ CBDV

Com destaque para o feminino, paratletas do Estado figuram em lista da CBDV

A CBDV (Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais) divulgou, na última segunda-feira (12), o Ranking Nacional de Judô 2025, que reúne os atletas com melhor desempenho no primeiro ano do ciclo paralímpico. Mato Grosso do Sul aparece representado em sete categorias, com nomes que figuram entre os principais do país tanto no feminino quanto no masculino.

No feminino, a categoria J1 até 60kg, destinada a atletas cegas totais, é liderada por Benilce Araújo, do Ismac, com 150 pontos. Na mesma classe, Larissa Barros e Sara dos Santos, da AJCS (Associação de Judô Caminho Suave), ocupam a quinta e a sexta posições, com 60 e 55 pontos, respectivamente. Já na categoria J2, para atletas com baixa visão, da mesma pesagem, a liderança é de Hellen Cordeiro, também do Ismac, que soma 160 pontos.

Na categoria J1 até 70kg, o Ismac aparece novamente entre os primeiros colocados com Aline Maciel e Luiza de Alcântara, terceira e quarta colocadas, com 110 e 85 pontos. Na J2 da mesma categoria, Michele Aparecida Ferreira, da AJCS, figura na segunda posição, com 150 pontos, atrás apenas de Alana Maldonado, da Amei (Associação Mariliense de Esportes Inclusivos) (SP), campeã paralímpica em Paris, que lidera com 210 pontos. Kelly Kethyllin Victório, do Ismac, completa a participação sul-mato-grossense na categoria em quinto lugar, com 55 pontos.

Também no feminino, na categoria +70kg J1, Erika Cheres Zoaga, atleta natural de Guia Lopes da Laguna, que atualmente representa a ARDV (Associação Rondonopolitana de Deficientes Visuais), do Mato Grosso, ocupa a terceira colocação, com 75 pontos.

Masculino
Entre os homens, Gabriel Ferreira Rodrigues desponta como o principal nome do judô paralímpico sul-mato-grossense em 2025. O atleta aparece na terceira posição da categoria J1 até 60kg, com 110 pontos, atrás do amazonense Elielton Lira, que representa São Paulo, e Deyverson Breno Lopes, do Rio Grande do Norte, ambos com 180. Na mesma classe, Jorge Diodi Kanashita, também do Ismac, aparece em sétimo lugar, com 33 pontos.

No J2 até 60kg masculino, Rafael Ferreira Martins, figura na sétima colocação, com 60 pontos. Já Rafael Renato Moreira, ocupa a segunda posição na categoria J1 até 95kg, com 130 pontos, atrás apenas de Arthur Cavalcante, do Icemat (MT), campeão paralímpico em Paris 2024, que lidera com 210 pontos.

O ranking funciona como um dos principais instrumentos de acompanhamento do ciclo paralímpico que vai até 2028, contabilizando os resultados obtidos em competições nacionais organizadas pela entidade, especialmente o Grand Prix e a pontuação varia conforme a colocação final em cada torneio.

Sensei cita trabalhos na base e alto rendimento

Responsável pelo desenvolvimento do judô paralímpico em Mato Grosso do Sul, a sensei Anne Talitha ressaltou o trabalho de base e alto rendimento desenvolvido no Instituto. “Todos treinam juntos no Ismac e também no judô convencional. São referências para os outros atletas e se motivam mutuamente. Esse convívio traz evolução técnica e impacto positivo fora do tatame”, afirmou.

Talitha destaca que mudanças técnicas implementadas nos últimos ciclos impactaram diretamente a modalidade. Segundo ela, a principal alteração foi a separação definitiva entre atletas cegos totais e de baixa visão. “A partir do ciclo de Tóquio, tivemos algumas alterações e a mais importante foi a separação do que antes era B1, B2 e B3, com baixa visão e cego lutando todos juntos, que ficou J1 e J2, sendo J1 para atletas que são totalmente cegos, e a J2 para baixa visão, que só luta com baixa visão, e restringiu um pouco mais também o conceito de baixa visão, onde nem todos são elegíveis para o Judô Paralímpico.”

Entre outras mudanças, a divisão de pesos também é diferente do esporte convencional. “As categorias não são mais iguais à antes de Tóquio. Agora a gente só tem quatro pesos no masculino e quatro no feminino, por conta dessa diminuição de atletas elegíveis, senão a categoria ia ficar com pouca gente para competir.”, explicou.

Mesmo com limitações estruturais e poucos recursos, a treinadora avalia que o judô paralímpico do Estado vive um momento de crescimento. “Em comparação com outros estados que têm mais investimento, mais alcance estamos muito bem. Ficamos em terceiro lugar nas Paralimpíadas Escolares com apenas cinco atletas, o que mostra que o trabalho vem sendo bem feito. A gente tem pouca visibilidade e investimento, mas uma ascensão muito grande, com bons representantes nas categorias de base e no profissional. Temos conseguido apresentar um trabalho bem bacana e a tendência é melhorar”, concluiu.

Por Mellissa Ramos

 

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