No País, o mercado bateu recorde com 2,2 milhões de unidades vendidas em 2025, maior volume em 22 anos
Com 2,2 milhões de unidades comercializadas em 2025, o mercado nacional de motocicletas bateu recorde em 22 anos, segundo dados da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas). Na Capital, essa expansão se traduz em preferência por motos de baixa cilindrada, forte adesão ao financiamento e crescimento nos serviços ligados à frota.
Especializada na compra e venda de motos desde 2010, a Radião Motos acompanhou um ano de movimentação intensa, mas com desaceleração nos meses finais. De acordo com o gerente Brenno Matheus, o volume de vendas em 2025 ficou cerca de 10% abaixo do registrado em 2024 (novembro e dezembro).
Mesmo assim, a procura seguiu concentrada nos modelos de baixa cilindrada, que dominam o mercado urbano. Segundo Brenno, as campeãs de vendas continuam sendo as Honda CG, nas versões Fan 160, Titan 160 e Start 160, além de modelos da Yamaha como a Lander 250 e a FZ25.
Para ele, o uso profissional tem peso relevante nesse movimento. “A moto é ágil e econômica no deslocamento. O crescimento das entregas influencia muito na decisão de compra”, explica.
Fatores que motivaram a migração?
O avanço do setor também está diretamente ligado à mudança no comportamento do consumidor. Com o preço médio dos veículos em alta e o custo dos combustíveis pressionando o orçamento, muitos motoristas passaram a considerar a motocicleta como alternativa de mobilidade.
“Com certeza há migração do carro para a moto pelo custo. O valor dos veículos hoje é muito alto, e o combustível pesa. A moto acaba sendo uma solução viável”, afirma o gerente da Radião.
Nesse cenário, o financiamento tornou-se predominante. Segundo Brenno, a maioria das vendas ocorre de forma parcelada. “No cenário atual, as pessoas preferem parcelas em vez do pagamento à vista. Isso é reflexo direto dos preços praticados no mercado.”
Crescimento expressivo
Na contramão da desaceleração no mercado, a RL Motos, fundada em 2018, registrou em 2025 o melhor desempenho desde o início das atividades. De acordo com os proprietários Lucas e Janine, o crescimento em relação a 2024 foi de aproximadamente 50% no número de motos vendidas, com meses que chegaram a superar em até 75% a média do ano anterior. “Tivemos um desempenho muito acima do esperado. O ano foi se superando mês a mês”, relatam.
Assim como em outras lojas da Capital, o financiamento aparece como principal porta de entrada para o consumidor. Mesmo com juros elevados, a modalidade segue atrativa.
“As taxas não estão baixas, mas ainda é uma boa alternativa para quem quer sair do ônibus ou da bicicleta. A economia gerada no dia a dia muitas vezes paga a parcela e ainda sobra para complementar a renda familiar”, destacam.
Mercado de alta cilindrada
No segmento de média e alta cilindrada, o cenário é mais moderado. Proprietário da Big Boss Garage, oficina especializada em motocicletas de maior porte, Guilherme Schuch avalia que o mercado vem mantendo estabilidade, com leve crescimento em 2025 na comparação com o ano anterior.
Segundo ele, houve aumento na procura por motos de média cilindrada, enquanto os modelos de alta cilindrada perderam espaço. “O público que compra motos para viagem parece estar com menos tempo e menos recursos para investir nesse hobby.”
Schuch destaca ainda que o crédito se tornou mais seletivo. “Os bancos trabalham com critérios rígidos. O histórico financeiro do cliente é determinante para aprovação.”
Outro ponto de atenção é a concorrência do comércio eletrônico. “O mercado local de peças sofre com a internet, onde os impostos variam conforme o estado de origem. Isso enfraquece o varejo local e já provoca reflexos, como fechamento de lojas e perda de empregos”, alerta.
Consignação ganha espaço
Na Vinni Motos, que atua com compra, venda e consignação, 2025 marcou um período de consolidação após a fase inicial de estruturação da empresa. Segundo os sócios do negócio, Vinicius e Cayke, a mudança para um espaço maior impulsionou o fluxo de clientes.
“Houve meses em que chegamos a vender entre 30 e 40 motos. Depois do segundo semestre, o movimento caiu um pouco, mas o ano foi positivo”, relatam.
Inicialmente focada em motos de médio e grande porte, a loja passou a ampliar a oferta de modelos menores, acompanhando a busca por economia no dia a dia.
“O custo para manter um veículo aumentou muito. Combustível, IPVA, licenciamento, tudo pesa. Por isso, muitos clientes migraram para motos de menor porte para uso diário.”
O financiamento também segue como principal modalidade de compra, embora com maior restrição ao crédito ao longo do ano. “As taxas subiram e o funil ficou mais fechado. O consórcio ainda tem pouca adesão, cerca de um ou dois clientes por mês.”
Projeção
Para este ano, a Abraciclo projeta a venda de 2,3 milhões de motocicletas no país, com crescimento estimado de 4,6%.
Em Campo Grande, apesar da maior concorrência entre lojas e da cautela diante do cenário econômico, o consenso entre empresários é de que a motocicleta segue consolidada como alternativa de mobilidade, trabalho e redução de custos, um movimento que deve continuar moldando o comércio local ao longo de 2026.
Efeito em cadeia
O crescimento nas vendas também tem provocado impacto direto em outros segmentos ligados ao setor. Oficinas, despachantes, lojas de peças e serviços especializados acompanham o avanço da frota.
Na RL Motos, a expansão do negócio levou à ampliação da estrutura e do quadro de funcionários. “Hoje contamos com oficinas terceirizadas, serviços de despachante, pintura, comércio de peças e pequenas manutenções. É um setor que movimenta toda a cadeia”, afirmam os proprietários.
Para 2026, a expectativa é positiva. A empresa iniciou o ano com aumento de estoque e ampliação do espaço físico para atender à demanda.
Por Djeneffer Cordoba