A demanda dos lares por comida pronta fomenta também as entregas por delivery
Com mudanças nas dinâmicas sociais, os hábitos da população também se alteram. Os brasileiros têm registrado uma preferência crescente pela comida caseira ao realizarem pedidos de delivery em restaurantes, comportamento que pode ser associado ao atual momento econômico do país.
Para José Eduardo Camargo, líder de Conteúdo da Abrasel, essa mudança de configuração não se trata de uma tendência passageira. “O aquecimento do mercado de trabalho impacta a dinâmica da vida familiar. Com menos disponibilidade para o preparo de refeições, é comum que mais membros das famílias recorram ao delivery para suprir essa lacuna. À medida que esse cenário se consolida, o novo padrão é que a demanda pelas marmitas e pela comida caseira se torne mais recorrente”, explica.
Segundo relatórios do iFood, a venda de marmitas por delivery tem aumentado nos últimos anos. Em 2024, a categoria teve um crescimento de 18%. Já em 2025, se considerada a soma entre comida brasileira e marmitas, as vendas ocupam o primeiro lugar dos pedidos na plataforma. Essa progressão sugere uma mudança no hábito de consumo do brasileiro.
A tendência de terceirização da comida caseira pode ser lida como um reflexo do aumento da ocupação no país. O ano de 2025 registrou o menor nível de desemprego da série histórica, segundo o IBGE, com uma taxa de 5,4%. Com mais brasileiros engajados no mercado de trabalho, a rotina minimiza a disponibilidade para o preparo de refeições em casa. Ao mesmo tempo, as marmitas têm tíquete médio mais baixo e são mais acessíveis aos trabalhadores.
No restaurante Delícias da Oci, esse movimento em relação aos pedidos de comida brasileira se prova uma realidade. Especializado em gastronomia amazônica, o restaurante começou como um negócio baseado no delivery durante a pandemia.
Atualmente com quatro unidades presenciais, o volume de entregas ainda chama atenção, sendo responsável por 60% das vendas. Sobre os pedidos, o administrador do Grupo OCI, Valdes Jr Bastos, afirma: “As vendas de marmitas têm aumentado bastante. As pessoas buscam por uma comida mais caseira, com aquele toque familiar, bem temperadinha, e esse apelo nos garante um diferencial competitivo”.
Verão a favor
A chegada do verão, que começou oficialmente no fim de dezembro, deve marcar um período de aquecimento para bares e restaurantes em todo o país. Especialistas do clima indicam, inclusive, que o verão 2025/2026 tende a registrar temperaturas acima da média, com possíveis veranicos e ondas de calor, fatores que estimulam o consumo em estabelecimentos do setor de alimentação fora do lar.
Além disso, indicadores recentes do turismo e do transporte aéreo, aliados à expectativa positiva dos empreendedores, reforçam a perspectiva de maior movimento nos bares e restaurantes ao longo da estação.
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