Made in Pantanal: pequenas empresas em MS ligadas à bioeconomia ganham espaço no mercado global

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O setor tem deixado de ser apenas um segmento alternativo e vem apresentando relevância na pauta econômica do Estado

Produtos ligados ao Pantanal e ao Cerrado, com foco em sustentabilidade e valor agregado, começam a romper barreiras geográficas e acessar plataformas internacionais de venda, como marketplaces digitais e eventos globais. Mais de 200 pequenos negócios de Mato Grosso do Sul ligados à bioeconomia avançam em estratégias de expansão de mercado, impulsionando a economia regional ao conectar produção local com consumidores de outros estados e países.

Um dos exemplos é a empresa Cerrado em Pé, criada pelo biólogo Rodrigo Borghezan e sua esposa, Bruna Oliveira. O negócio surgiu a partir da dificuldade de pequenos produtores em comercializar alimentos como mel, castanha de baru e frutas nativas. Após ajustes no modelo de atuação, a empresa migrou do atendimento direto ao consumidor para o fornecimento a outras empresas, ampliando o alcance comercial.

Com a consolidação da marca e a obtenção do selo de origem, o empreendimento diversificou a produção, investiu em agroindústria e passou a atender eventos corporativos, além de fornecer insumos que podem ser utilizados em outros segmentos, como bebidas e gastronomia. A meta é escalar a produção já em 2026.

Essa movimentação acontece em um contexto de crescimento da demanda por produtos sustentáveis e de origem certificada. Empreendedores do Estado passaram a integrar um selo que atesta compromisso ambiental e identidade territorial, critério que tem ampliado a competitividade desses negócios em nichos de maior valor agregado. A presença em ambientes como a Amazon e em feiras internacionais voltadas à bioeconomia, como espaços comerciais realizados durante a COP30, elevou a visibilidade e abriu portas para parcerias comerciais de médio e longo prazo.

Meta: mercados internacionais
Made in Pantanal é um projeto que impulsiona o empresário sul-mato-grossense, idealizado pelo Sebrae/MS.“Não se trata apenas de vendas diretas, mas da construção de uma imagem de marca associada à bioeconomia e à sustentabilidade. Nossa previsão é de forte expansão para os próximos anos. Para 2026, a meta é expandir significativamente o número de empresas do selo Made in Pantanal. Estamos trabalhando ativamente na capacitação de novos grupos de empresários e na curadoria de produtos com potencial para o marketplace”, explica o analista do Sebrae/MS Vinícius Pacheco.

‘Jóias feitas com joias’
Outro caso é o da empresária Beatriz Corregaro, que deixou a fisioterapia para investir na produção de biojoias feitas com flores e elementos naturais. O negócio, que começou em feiras de economia criativa, ganhou reconhecimento e passou a mirar o mercado externo. Com o selo de origem, a empresária afirma que os produtos ganharam maior valor percebido, abrindo caminho para exportações.

Já a Ybá, empresa de cosméticos e produtos veterinários à base de barbatimão, planta medicinal típica do Cerrado e do Pantanal, aposta na sustentabilidade como estratégia de crescimento. Além de expandir a linha pet, a empresa planeja repaginar embalagens e produtos para atender exigências de mercados mais rigorosos. A participação em eventos internacionais e o acesso a marketplaces são vistos como fundamentais para ampliar a visibilidade da marca regional.

Por Gustavo Nascimento

 

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