Indústrias extrativas e alimentos puxam recuo de preços do setor industrial de MS

A queda de 0,37% do IPP favorece a cadeia produtiva e reduz custos no Estado

Os preços da indústria brasileira registraram nova queda em novembro e seguem impactando diretamente estados com forte base produtiva, como Mato Grosso do Sul. O IPP (Índice de Preços ao Produtor), divulgado pelo IBGE, recuou 0,37% na comparação com outubro, marcando o décimo resultado negativo consecutivo e refletindo um cenário de alívio nos custos da produção industrial.

No acumulado de 2025 até novembro, a retração chega a 4,66%, enquanto no período de 12 meses a queda é de 3,38%. O desempenho tem influência direta sobre setores estratégicos da economia sul-mato-grossense, principalmente indústrias extrativas, alimentos, biocombustíveis e químicos, que estão ligados ao agronegócio.

Extrativas lideram queda
O setor de indústrias extrativas, que tem peso relevante no Estado por conta da mineração e da produção de insumos minerais usados no campo, apresentou queda de 3,43% em novembro. Foi o segmento com maior impacto negativo no resultado geral do IPP, respondendo por -0,15 ponto percentual da variação total.

No acumulado do ano, os preços do setor caíram 17,09%, a maior retração entre todas as atividades industriais, o que contribui para reduzir custos de matérias-primas utilizadas em diversas cadeias produtivas locais.

Outro destaque que é relevante para o Estado foi o setor de alimentos, que registrou queda de 0,52% em novembro, acumulando retração de 9,91% no ano e 8,42% em 12 meses. A atividade teve a maior influência negativa no IPP tanto no acumulado anual quanto no indicador de 12 meses.

Produtos ligados à rotina produtiva em Mato Grosso do Sul, como leite UHT, óleo de soja em bruto e açúcar cristal, puxaram os preços para baixo, acompanhando o período de safra e maior oferta. Já as carnes bovinas, uma das principais bases da economia Sul-mato-grossense, apresentaram aumento de preços, impulsionado pela demanda internacional, especialmente para exportação.

Biocombustíveis e insumos
O setor de refino de petróleo e biocombustíveis recuou 0,79% em novembro, acumulando queda de 6,17% em 2025. O movimento afeta diretamente o MS, que possui cadeia produtiva ligada ao etanol e biodiesel, além da produção de oleaginosas usadas como matéria-prima.
Já os outros produtos químicos, que incluem fertilizantes e resinas usadas no agronegócio e na indústria de transformação, tiveram queda de 1,52% no mês. A redução está associada ao aumento da oferta global e à menor demanda interna, o que pode representar redução de custos para produtores rurais na próxima safra.

Entre as grandes categorias econômicas, os bens intermediários, grupo que concentra insumos industriais e agrícolas, tiveram queda de 0,75% em novembro e foram responsáveis por -0,40 ponto percentual do resultado geral do IPP. No acumulado do ano, a retração chega a 7,60%, reforçando o cenário de desaceleração dos preços na base da produção.

Por Gustavo Nascimento 

 

Confira as redes sociais do Estado Online no Facebook Instagram

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *