Com otimismo para a data, lojistas já apostam em estoques preparados para a época
Com a proximidade do Carnaval, comerciantes já começam a sentir os primeiros reflexos da data no movimento das lojas. Mesmo que o ritmo ainda seja moderado, a expectativa é de aquecimento nas vendas ao longo das próximas semanas, especialmente na reta final antes da folia.
Além do crescimento esperado no faturamento, lojistas apontam uma mudança no perfil de consumo, onde os adereços têm superado a procura por fantasias completas. Itens como tiaras, máscaras, brincos temáticos, glitter, strass e acessórios artesanais estão entre os produtos mais buscados pelos foliões, que preferem montar o próprio visual para curtir a festa.
A gerente de uma loja de maquiagem e acessórios no bairro Caiobá, Gabriela Borges, explica que, apesar do início ainda tímido, a tendência é de alta.
“A gente tá com um movimento um pouco fraco, mas tende a aumentar. Ainda no início do ano, né? E consequentemente mais no início do próximo mês as vendas já começam a esquentar”, afirma.
Segundo ela, a loja adapta todo o catálogo para atender à demanda do período. “A loja se volta toda para o carnaval. Alguns produtos a gente vende no resto do ano, só que mais reduzido, como glitter e strass. Agora os demais a gente tende a guardar mesmo, que é tiara, guarda toda essa mercadoria para o outro ano.”
Para quem trabalha com vendas sazonais, o Carnaval é considerado um dos momentos mais lucrativos do ano. Luan Nunes, que comercializa acessórios por época, destaca que a festa é imbatível em termos de retorno financeiro. “A época de carnaval é muito boa pro comércio, não tem comparação não. As vendas aumentam em quase 100%. A melhor época é a de carnaval”, relata.
Melhor época pós Natal
O mesmo cenário é observado na loja CantinhoMulti. De acordo com Marcelo, gerente administrativo, o período carnavalesco perde apenas para o Natal em volume de vendas.
“Logo após o final do ano, que passa o Natal, que é o grande movimento, o carnaval é um dos principais focos dos clientes. A gente tem um crescimento muito significativo em relação às vendas”, explica.
Ainda conforme os comerciantes, os adereços são unanimidade entre os consumidores, justamente por permitirem personalização e economia.
“Os adereços são 100% os mais procurados. O pessoal procura bastante para complementar as fantasias ou as ideias que eles têm de roupa para poder curtir o carnaval”, reforça Marcelo.
Com a expectativa de maior circulação de foliões nos próximos dias, o comércio aposta na criatividade, variedade de produtos e preços acessíveis para atrair os clientes e aproveitar um dos períodos mais movimentados do calendário comercial.
Mudança de Comportamento
O carnaval foi, durante muito tempo, símbolo de fantasias extravagantes e dos tradicionais bailes que movimentavam a vida noturna na Capital com as disputas de melhor fantasia, por exemplo. O tradicionalismo que marcou uma geração saiu de moda e foi substituído por adereços simples e pela praticidade das fantasias com plaquinhas. Com essa mudança, lojas especializadas em fantasias precisaram se adaptar à nova demanda e buscar alternativas para se manterem abertas.
É o que explica Patrícia dos Santos, proprietária da loja de fantasias Pierro, atuante há 20 anos no mercado. Segundo ela, a mudança está diretamente ligada à preferência do público durante o período carnavalesco. “Teve uma época que era bom. Mas agora já não é mais assim. O nosso carnaval aqui, atualmente, é muito fraco. Eles preferem ir com algum acessório, não com fantasia. Esse lance de fantasia era mais da época dos clubes, dos pierrots. Hoje é um adereço ou outro e ir para a rua”, afirma a proprietária.
Outro fator que contribuiu para a redução na procura por fantasias durante o carnaval foi o acesso facilitado dos consumidores aos fornecedores por meio do e-commerce. “Antes a procura era alta porque as pessoas não encontravam com facilidade. Todo mundo tinha receio de comprar pela internet, com medo de não chegar. Hoje em dia não. As pessoas já sabem que as encomendas chegam, então, às vezes, a gente acaba disputando com o nosso próprio fornecedor”, relata.
A empresária destaca a necessidade de diversificar as datas para manter o funcionamento da loja. E afirma que observa aumento nas vendas em outras datas do ano como as festa juninas e Halloween.
Por Gustavo Nascimento e Ian Netto