Para a presidente da FCDL-MS, Inês Santiago, “o comércio paga mais caro pelo crédito, ficou fora da maior parte das políticas de renúncia fiscal e não recebe o mesmo nível de incentivo que outros setores. É uma desvantagem em cima da outra para quem mantém a economia funcionando no dia a dia”
O Condel/Sudeco (Conselho Deliberativo do Desenvolvimento do Centro-Oeste) aprovou para 2026 a destinação de R$ 3,1 bilhões do FCO (Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste) para Mato Grosso do Sul, o maior volume já reservado ao Estado desde a criação do fundo. Os recursos integram a programação oficial do FCO e devem atender projetos do agronegócio e do setor empresarial ao longo do próximo ano.
Do total aprovado, cerca de 50% está direcionado às linhas empresariais, que atendem comércio, serviços e indústria. Ainda assim, as condições de financiamento seguem significativamente mais restritivas para esses segmentos. Conforme a programação do FCO, as taxas de juros para o setor empresarial podem chegar a até 16% ao ano, enquanto as operações voltadas ao crédito rural operam com juros médios em torno de 8,5%.
Para a FCDL-MS (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul), a diferença mostra um tratamento desigual que se repete em outras frentes da política econômica estadual. A presidente da entidade, Inês Santiago, avalia que o varejo acumula desvantagens sucessivas, mesmo sendo um dos principais pilares da arrecadação tributária do Estado.
“O comércio paga mais caro pelo crédito, ficou fora da maior parte das políticas de renúncia fiscal e não recebe o mesmo nível de incentivo que outros setores. É uma desvantagem em cima da outra para quem mantém a economia funcionando no dia a dia”, afirma.
Segundo a FCDL-MS, ao longo dos últimos anos, políticas de incentivos e benefícios fiscais foram direcionadas principalmente a setores específicos da economia, enquanto o varejo continuou submetido à carga tributária cheia. O resultado é um ambiente mais oneroso para empresas que dependem de capital de giro, financiamento para modernização e ampliação de operações.
A entidade lembra que o comércio e os serviços concentram grande parte dos empregos formais no Estado e estão presentes em todos os municípios, garantindo fluxo contínuo de arrecadação de ICMS, ISS e tributos indiretos. Ainda assim, enfrentam juros mais elevados justamente em um momento de custos operacionais crescentes e desaceleração do consumo.
Para Inês Santiago, a política de desenvolvimento regional precisa ser revista sob o ponto de vista da isonomia. “Não se trata de retirar incentivos de nenhum setor, mas de corrigir distorções. O varejo também precisa de crédito acessível e políticas que reconheçam seu peso econômico”, pontua.
A FCDL-MS defende que as condições do FCO para o setor empresarial sejam reavaliadas, com equalização das taxas de juros e critérios que ampliem o acesso do comércio aos recursos. A entidade também cobra maior equilíbrio na concessão de incentivos fiscais, para evitar que o varejo continue arcando sozinho com o custo de sustentar a arrecadação estadual.
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