Em meia às buraqueiras, custo logístico na MS 040 deve custar mais de R$ 40

Foto: Roberta Martins
Foto: Roberta Martins

Conforme previsão, a assinatura do contrato de concessão da Rota da Celulose deve ter presença do ministro, Renan Filho

A MS- 040 está inserida em um dos maiores projetos logísticos de infraestrutura roviário de Mato Grosso do Sul, a Rota da Celulose. O projeto inclui a implantação de pedágio eletrônico, obras de duplicação e investimentos ao longo de 30 anos em corredores considerados estratégicos para a logística industrial e florestal do Estado.

Mesmo com a projeção de melhorias no trajeto, os motoristas de veículos leves deverão desembolsar mais de R$ 40, após a concessão. O preço deve variar dependendo do número de pontos de cobrança eletrônica em que o condutor deve trafegar. O calculo de mais de R$ 40 refere-se aos seguintes pontos de cobrança: Campo Grande (R$16,20), Ribas do Rio Pardo (R$ 16,20) e Santa Rita do Pardo (R$ 12,30). Os valores consideram o desconto de 8% ofertado pela concessionária durante o leilão e variam conforme a categoria e o número de eixos dos veículos.

Conforme já publicado pelo jornal, a ocorrência de buracos ao longo da pista, asfalto danificado, falta de sinalização, ausência de acostamento e o tráfego intenso de carretas têm transformado a via em um risco constante para quem utiliza o trecho diariamente. Cenário que contrasta com a cobrança que está prevista a partir de novembro deste ano

A estrada recebe há anos um grande fluxo de veículos, incluindo caminhões de carga, produtores rurais e moradores das comunidades próximas. Inaugurada há cerca de 12 anos, a MS-040 surgiu como alternativa para encurtar distâncias, desafogar rodovias federais como a BR-163 e acabar com o isolamento de vilas, distritos e regiões rurais que antes não tinham acesso pavimentado.

Cabe destacar que, ainda não houve a assinatura do contrato de concessão pelo Consórcio Caminhos da Celulose, vencedor do leilão. A assinatura do contrato está prevista para o início de fevereiro de 2026, em Campo Grande, com a presença do ministro dos Transportes, Renan Filho. A partir da formalização, começa a contagem dos prazos para execução das primeiras intervenções.

Ao todo, a concessão abrange 870,3 quilômetros de rodovias no leste sul-mato-grossense, incluindo trechos das BRs 262 e 267 e das rodovias estaduais MS-040, MS-338 e MS-395. De 870,3 km, apenas 115 km terão pista dupla,sendo 101,730 km na BR-262 (entre Campo Grande e Ribas do Rio Pardo) e 13,5 km na BR-267 (entre Bataguassu e a divisa MS-SP).

De acordo com o cronograma estabelecido pelo governo estadual, a concessionária terá até 12 meses, após a assinatura do contrato, para executar as intervenções iniciais obrigatórias. A liberação da cobrança de pedágio dependerá da comprovação do cumprimento dessas exigências técnicas.

Ponto de vista econômico
Para o economista Diego Neves, o impacto deve ser analisado sob duas óticas. Segundo ele, para o usuário direto da rodovia, qualquer redução na tarifa é positiva, pois diminui o custo de deslocamento e de frete. “No caso da diferença entre 8% e 9%, a economia por viagem é pequena, mas para quem utiliza a estrada com frequência isso se acumula ao longo do tempo”, afirma.

Por outro lado, ele lembra que o modelo de concessão envolve a chamada curva de aporte, em que descontos maiores na tarifa podem exigir maior participação financeira para viabilizar o contrato.
“Quando o desconto aumenta, geralmente o aporte necessário para equilibrar o contrato também sobe. Então, para o contribuinte que paga impostos, um pedágio um pouco mais barato não significa necessariamente menor custo para a sociedade como um todo. É uma equação entre tarifa menor hoje e compromissos financeiros maiores ao longo do contrato”, explica.

Megaprojeto
Ao todo, a Rota da Celulose contará com 14 pórticos de pedágio. O volume total de investimentos previstos é de R$ 10,098 bilhões ao longo do período de concessão. Desse montante, R$ 6,907 bilhões serão destinados às obras de infraestrutura e R$ 3,191 bilhões aos custos operacionais. O projeto inclui duplicações, acostamentos, contornos urbanos, dispositivos de segurança, passagens de fauna e estruturas de atendimento aos usuários.

As outras três rodovias que integram a Rota da Celulose – ligação diagonal de 294,1 quilômetros entre Campo Grande e Bataguassu passando por Santa Rita do Pardo – não terão duplicação. Porém, receberão outros investimentos:

Acostamentos
327 km na MS-040;
103,62 km na MS-338;
2,68 km na MS-395.
Terceira faixa
103,78 km na MS-040;
14,13 km na MS-338;
800 m na MS-395.
Edificações e dispositivos
4 postos do Serviço de Atendimento ao Usuário;
2 postos da Polícia Militar Rodoviária;
1 Posto de Parada e Descanso.
Viaduto no entroncamento com a BR-163, em Campo Grande.

Por Gustavo Nascimento e Djeneffer Cordoba

 

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