China passa a adotar cotas e tarifa adicional para carne importada em 2026

Foto: Roberta Martins
Foto: Roberta Martins

O Brasil ficará com a maior fatia de exportações o que reduz o risco de perda de mercado para concorrentes

A China anunciou que passará a adotar um sistema de cotas por país para importações de carne bovina, com aplicação de tarifas adicionais de 55% apenas sobre volumes que ultrapassarem os limites estabelecidos. As medidas entram em vigor a partir de hoje (1º) e terá duração inicial de três anos, conforme o MOFCOM (Ministério do Comércio da República Popular da China)

De acordo com o governo chinês, a decisão faz parte de medidas de salvaguarda previstas na legislação do país e tem como objetivo apoiar a recuperação da indústria pecuária nacional, que enfrenta dificuldades nos últimos anos, sem restringir o comércio considerado normal. O ministério ressalta que a adoção de cotas combinadas com tarifas adicionais foi escolhida por ser uma alternativa “moderadamente rigorosa”, capaz de equilibrar a proteção ao mercado interno com as demandas legítimas dos parceiros comerciais.

Pelo modelo anunciado, as importações realizadas dentro da cota anual continuarão sujeitas às tarifas atualmente vigentes. A tarifa adicional de 55% será aplicada somente a partir do terceiro dia após o esgotamento da cota anual de cada país. As cotas não utilizadas em um ano não poderão ser transferidas para o período seguinte.

Para 2026, a cota total global foi fixada em 2,7 milhões de toneladas de carne bovina. O Brasil ficará com a maior parcela, equivalente a 41,1% do total, seguido pela Argentina (19,0%) e pelo Uruguai (12,1%). Austrália e Estados Unidos também terão volumes específicos, com 205 mil toneladas e 164 mil toneladas, respectivamente. Segundo o Ministério do Comércio, o volume total da cota deverá crescer gradualmente, alcançando 2,8 milhões de toneladas em 2028.

Em comunicado oficial, o ministério destacou que as medidas não têm como alvo um país específico e são resultado de uma investigação iniciada em dezembro do ano passado, após sucessivas prorrogações. O governo chinês argumenta que o setor de criação de gado bovino vem registrando prejuízos desde 2023, em um contexto de excesso de oferta e forte pressão sobre os produtores locais.

Dados oficiais indicam que a China importou volumes recordes de carne bovina nos últimos anos. Em 2024, as compras externas somaram 2,87 milhões de toneladas. Entre janeiro e novembro do ano seguinte, as importações totalizaram 2,59 milhões de toneladas, uma leve queda de 0,3% na comparação anual. O Brasil se manteve como principal fornecedor, com mais de 1,3 milhão de toneladas embarcadas no último ano completo.

Para garantir transparência durante a vigência das medidas, as autoridades chinesas informaram que o uso das cotas será monitorado de forma contínua. Avisos públicos serão emitidos quando os volumes importados atingirem 50% e 80% das cotas anuais de cada país. Ao alcançar o limite total, será comunicado oficialmente o início da cobrança da tarifa adicional.

Segundo o Ministério do Comércio da China, a expectativa é que o novo modelo contribua para o ajuste gradual do setor pecuário doméstico, ao mesmo tempo em que preserva o fluxo regular de comércio internacional de carne bovina.

Gustavo Nascimento

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