Bancos espera desaceleração gradual do crédito em 2026, chegando a 8,2%

Foto; Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Foto; Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas mostra que 70% dos participantes esperam que início do ciclo de queda da taxa Selic ocorra apenas em março/2026

A maioria dos bancos espera que a carteira de crédito total em 2025 feche o ano com crescimento de 9,2%, e desacelere de forma bem gradual em 2026, chegando a 8,2%. Esta projeção está em linha com os números recentes do mercado de crédito, cujo crescimento anual do saldo total tem se mantido ainda elevado, apesar da alta da Selic. É o que aponta a Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas da Febraban, que ouviu 20 bancos entre 17 e 19 de dezembro.

Na pesquisa anterior, a expectativa para 2025 era de uma alta de 8,9%. A estimativa de 9,2% reflete o aumento da expectativa de crescimento do crédito direcionado, com a projeção subindo de 10,1% para 10,9%. Esse movimento é explicado pelo crédito PJ (15,3%, ante 13,6%), que segue com alto nível de expansão, sustentado pelos programas governamentais. Ainda sobre o saldo de crédito em 2025, na carteira direcionada para famílias, a expectativa de crescimento também subiu, de 8,4% para 8,7%, refletindo a resiliência do crédito habitacional, compensando o menor dinamismo do crédito rural.

Na carteira livre, também sobre o saldo estimado para 2025, a expectativa de crescimento caiu marginalmente de 8,1% para 8,0%. A revisão decorreu do menor crescimento esperado para a carteira PJ, que recuou de 5,1% para 3,6%, em razão das condições financeiras mais apertadas, elevação do IOF e da concorrência com as operações direcionadas e o mercado de capitais. Já a projeção de crescimento da carteira Livre PF avançou de 10,3% para 11,0%, em função do bom dinamismo apresentado pela carteira em 2025, embora com uma piora de composição (aumento de linhas rotativas).

Para 2026, uma parcela expressiva (73,7%) dos analistas acredita que o saldo total deve desacelerar, mas apenas de forma gradual. Além disso, 15,8% dos participantes esperam que o crédito mantenha o ritmo atual de expansão no próximo ano. Com isso, a pesquisa também captou um aumento na projeção de crescimento do saldo de crédito total, que subiu de 7,9% para 8,2%, com melhora tanto na carteira livre (de 7,4% para 7,6%) quanto na direcionada (de 9,0% para 9,4%).

“A alta das projeções do saldo do crédito para 2026 vem em linha com as divulgações recentes, que mostram que 2025 foi marcado por uma moderação bastante gradual do mercado de crédito, que permaneceu com um crescimento razoavelmente robusto, mesmo com o elevado nível da taxa Selic. Este crescimento foi sustentado pelos programas governamentais para as MPMEs e linhas de consumo para as famílias”, avalia Rubens Sardenberg, diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban.

“Para 2026, a expectativa é que essa desaceleração gradual prossiga ao longo do ano, levando a um crescimento de 8,2%, com o movimento sendo liderado pela carteira Direcionada PJ, dada a elevada base de comparação deste segmento, que tende a fechar 2025 com alta superior a 15%”, complementa Sardenberg.

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