Aumento ou queda? Café brasileiro mantém protagonismo global, mas consumidor ainda está longe de pagar barato

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Apesar de grandes concorrentes, o Brasil se mantém em posição estratégica em termos de produção global

Mesmo diante de tarifas internacionais e de um cenário climático cada vez mais desafiador, o café brasileiro segue consolidado como líder no mercado mundial. Números comemorados por um lado, mas de pessimismo para o consumidor que há tempos não vê redução no preço do produto nas prateleiras. Em Campo Grande, um pacote com 500g custa em torno de R$30, conforme dados coletados pela reportagem.

Após altas nos preços ao longo de 2025, o consumidor quer saber: O café vai continuar caro em 2026? Para o consumidor final, a expectativa em relação aos preços segue cercada de incertezas. De acordo com a economista, Cristiane Mancini, fatores climáticos continuam sendo determinantes para o valor do café nos mercados. “Há uma projeção de estabilidade de preços por um período de quatro a seis meses, mas não há garantias de longo prazo. As mudanças climáticas podem impactar diretamente o produtor e, consequentemente, o preço ao consumidor”, conclui.

Conforme o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), os cafezais ainda seguem sentido os impactos de safras anteriores ruins. Como consequencia, não produzem o suficiente para atender a demanda e assim, reduzir os valores.

Os dados são mais positivos no cenário de exportação. Responsável por cerca de 38% a 40% de toda a produção global, o Brasil não apenas sustenta sua posição como projeta um ano positivo para o setor em 2026, impulsionado pelo aumento da demanda internacional e pela resiliência do campo.

Segundo Mancini, a força do café brasileiro está diretamente ligada à capacidade de adaptação do setor ao longo dos anos. “A produção de café brasileira é bastante resiliente e flexível. Já passou por momentos de perdas completas nas lavouras, mas o setor aprendeu a se reconstruir, investir e reinvestir”, explica.

Aumento de cafezal
Esse movimento contínuo de reinvestimento permite que, em anos de safra elevada, produtores ampliem áreas cultivadas e aumentem a oferta do grão no mercado internacional. A expectativa para 2026 é de crescimento expressivo onde estima-se um aumento de cerca de 35% na produção de café, o que reforça o protagonismo brasileiro mesmo diante das incertezas climáticas.

Outro fator decisivo para esse desempenho é a mudança no perfil do consumo global. Mercados como Europa e Ásia passaram a consumir mais café nos últimos anos, elevando a demanda mundial. “A produção brasileira é, hoje, a única capaz de suprir esse crescimento de consumo em larga escala, diferentemente de outros países produtores”, destaca Mancini.

Embora o Vietnã também seja um concorrente relevante, a economista ressalta que a produção vietnamita ainda é menor em comparação à brasileira, o que mantém o Brasil em posição estratégica no abastecimento global.

Diversificação
A entrada e expansão de empresas estrangeiras de café no Brasil, como as colombianas, também fazem parte desse novo cenário. Para Mancini, a maior presença de players internacionais tende a gerar efeitos positivos. “Mais competitividade pode significar busca por certificações, melhoria da qualidade, inovação e maior atenção às preferências do consumidor”, afirma.
Ela explica ainda que o café colombiano possui características sensoriais distintas do brasileiro, o que abre espaço para a convivência entre diferentes origens. “Isso amplia o poder de escolha do consumidor e incentiva as empresas brasileiras a inovarem cada vez mais”, completa.

No campo externo, a retirada das taxas de importação para os Estados Unidos, anunciada pelo presidente Donald Trump, também favorece as exportações brasileiras de café. Apesar disso, a economista pondera que o cenário político internacional ainda exige cautela. “Qualquer análise mais negativa neste momento seria apenas especulativa, já que não há elementos concretos que indiquem prejuízos ao Brasil como exportador”, ressalta.

Consumo: café é insubstituível
Para Jozana de Souza, técnica de segurança, mesmo com os preços acima da média, ficar sem o café é indispensável. “Ficar sem café não dá. Em casa eu reduzi a quantidade, antes tomava 3 vezes ao dia, agora é só de manhã. Quando bate aquela vontade a gente opta por um tereré, um suco, porque a gente sabe que o pacote do café tá caro e tem que durar” afirma a consumidora.

Já para a pensionista, Marilza Simões, o café é insubstituível. “Mesmo estando caro, não dá para ficar sem” relata Marilza. Ela afirma que reduziu a quantidade de café na rotina e que organismo sofreu para se adaptar. “Antes era café no café da manhã, depois do almoço, lanche da tarde e antes de dormir, hoje em dia é só uma vez ao dia, mas é complicado porque o corpo sente falta. É dor de cabeça o dia inteiro” relata.

Marilza ainda afirma que além da única dose de café que toma durante o dia, só em casos de visita isso muda. “Quando as comadres aparecem em casa, ai eu passo um cafezinho, mas só assim” conclui.

Mesmo com a variação de preços que impacta na presença do café na rotina, o grão segue como uma das principais tradições do brasileiro, presente na vida de mais de 100 milhões de pessoas em todo o país.

Por Gustavo Nascimento e Ian Netto

 

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