Diagnosticado com autismo, aluno de escola estadual é afastado após crise em Jardim

Foto: Reprodução/ Maps Apple
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Desde os sete anos de idade, Fernando Augusto Ramalho (nome fictício) vive com o diagnóstico de TEA (Transtorno do Espectro Autista) e retardo mental leve com comprometimento significativo do comportamento (F70.1). Mas muito antes disso, aos dois anos, Fernando já tomava medicação e fazia acompanhamento com fonoaudióloga, já que a família notou um atraso na fala da criança.

Hoje, aos 13 anos, Fernando tenta levar uma vida comum. Vai à escola, está na oitava série do ensino fundamental, socializa com outros colegas, brinca e realiza diversas atividades, processo que a mãe Fabiana, considera ser de extrema importância para a inclusão do filho.

Nesta semana, porém, a mãe do menino teve que lidar com uma preocupação a mais. Fernando foi suspenso após um surto, como ela mesma chama, que levou o adolescente a ameaçar e agredir sua professora e a coordenadora da escola estadual onde está matriculado atualmente, em Jardim. A situação necessitou de intervenção, inclusive do Corpo de Bombeiros.

“Na última quarta-feira (25), vivenciamos uma situação extremamente delicada e preocupante. Durante um episódio de crime, algo inerente a sua condição, especialmente pela dificuldade no controle emocional, ele acabou tendo um comportamento agressivo dentro da escola. Hoje fui comunicada pela diretoria da escola que ele deverá ter ensino domiciliar até que ‘passem’ as crises”, relata a mãe.

O que a assessora explica é que o que causa indignação está na forma que o filho foi tratado pela instituição, que não está preparada para lidar com cenários como este. “A escola aplicou uma suspensão de três dias, tratando o caso como um ato disciplinar comum. Posteriormente, fui informada que a SED (Secretaria de Educação do Estado) orientou que meu filho passasse a receber ensino domiciliar até que a situação fosse ‘sanada’. Mas como sanar uma deficiência?”.

Assim, a mãe questiona sobre políticas de inclusão e acusa o Estado de retirar o direito de convivência de um adolescente com deficiência e de não oferecer o suporte necessário que o aluno precisa. “Eles não poderiam ignorar as crises emocionais. Não é inclusão tratar como incapaz ou problema. Inclusão, nesse caso, não é só colocar ele dentro de uma sala de aula comum. Isso seria presença. Inclusão de verdade é participação com suporte real”.

Em nota, a SED informou que, conforme protocolo da Rede Estadual de Ensino, a direção da unidade seguiu Regimento Escolar. Os pais foram acionados, comunicados e orientados quanto ao incidente. Além disso, o estudante foi encaminhado para Regime Domiciliar, assegurando a continuidade do processo de ensino em condições adequadas, onde será acompanhado por um profissional.

Por Maria Gabriela Arcanjo

 

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