Em maio deste ano, o cacique Raoni Metuktire insistia: não era o momento de entrar em choque com o governo de Jair Bolsonaro (PSL). Em turnê pela Europa, ele passou por Genebra e revelou ao UOL que queria um encontro com o presidente. Seu objetivo era o de debater a demarcação de suas terras e a proteção à floresta no país.
O encontro jamais ocorreu. Os incêndios passaram a dominar a agenda internacional e, no lugar do diálogo, o mundo descobriu em setembro o que Bolsonaro pensava do cacique.
Em seu discurso de abertura na Assembleia Geral da ONU, o presidente brasileiro hostilizou Raoni, denunciou uma suposta manipulação de sua imagem e decretou que seu “monopólio” tinha terminado. Bolsonaro também avisou: não vai mais demarcar terras enquanto for presidente.
Mas, agora, Raoni pode voltar a ser uma pedra no sapato do governo. Amanhã, os organizadores do Prêmio Nobel da Paz anunciam o vencedor. Neste ano, nomes como o da ativista sueca Greta Thunberg ou do primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, estão entre os mais citados. No total, foram 223 candidaturas de personalidades e 78 de organizações.
Não são poucas as publicações estrangeiras que colocam Raoni entre os cinco favoritos. Uma delas, a Time Magazine, lembra que o cacique “passou sua vida protegendo sua casa, a floresta Amazônica”. Na apresentação dele, não faltam referências a Bolsonaro nem aos incêndios.
Na Skybet, Raoni é o quarto colocado nas bolsas de apostas e, na imprensa em diferentes línguas, seu nome aparece entre os “favoritos”. Se nome foi proposto pela Fundação Darcy Ribeiro, e contou, ao longo de semanas, com uma campanha internacional. (Uol)