Após estreia nacional, time planeja futuro com base forte

Foto: Nilson Figueiredo
Foto: Nilson Figueiredo

Equipe destaca aprendizado com Superliga B e dentro e fora de quadra

O Sesc MS Vôlei encerrou no início deste mês sua primeira participação na Superliga B masculina. Formada há aproximadamente um ano, a equipe alcançou a competição após conquistar o terceiro lugar na Superliga C e levou o nome do Estado ao cenário nacional da modalidade.

O time se despediu da competição no último dia 7, em Campo Grande, com derrota por 3 sets a 1 para o Araucária Vôlei, no Ginásio da Funlec, pela última rodada da primeira fase. A equipe terminou na vice-lanterna, com duas vitórias em 13 partidas.

Uma das expectativas agora é pela disputa da Superliga C, prevista para o segundo semestre deste ano, embora o calendário oficial ainda não tenha sido divulgado.
O ponteiro Gilson Silveira Arevalo pretende continuar no clube, caso volte a disputar a competição.“Já estou treinando mais forte para poder ajudar o time. Pela experiência, consigo contribuir dentro de quadra e também orientar os atletas mais jovens”, disse o ponteiro.

Técnico do time e presidente da Campo Grande Vôlei, Samir Ismail Dalleh destaca que o trabalho desenvolvido nas categorias de base da associação é parte central dos planos. Atualmente, a entidade mantém oito equipes masculinas e femininas em diferentes categorias e participa de campeonatos brasileiros.

A ideia é formar atletas no Estado para compor o elenco principal. O dirigente ressalta que os projetos também dependem de maior apoio para ampliar a estrutura e garantir a participação das equipes em competições. “A base é fundamental. Quando esses atletas chegam ao adulto com essa experiência, o nível da equipe sobe naturalmente.”

Busca pela identidade própria

O trabalho de formação de atletas existe há pelo menos três anos. Já a equipe adulta é recente e tem resgatado talentos sul-mato-grossenses que atuavam em outros estados.

É o caso de Gilson. Aos 36 anos, natural de Jardim, e com passagens por equipes de diferentes regiões do país, como o Tênis Clube de Presidente Prudente (SP). Esta foi a primeira vez que o atleta disputou uma competição nacional por Mato Grosso do Sul. “Já joguei em vários estados, como Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso e Paraná, mas nunca tinha tido a oportunidade de jogar pelo meu próprio Estado. Isso foi algo inédito”, afirmou.

“Minha família veio de Jardim assistir, familiares de outros atletas daqui puderam acompanhar também. Foi muito especial”. Segundo o jogador, a presença do time em uma competição nacional ajuda a incentivar novos atletas, principalmente fora da Capital. “O esporte movimenta o Estado inteiro. Isso chega nas cidades do interior e mostra para quem está começando que é possível chegar lá”, disse.

‘Nossa época tinha muita raça’

Dentro de quadra, Gilson foi um dos atletas mais experientes do elenco e destacou a importância da convivência entre os jogadores ao longo da temporada. “O maior aprendizado que fica é a amizade que a gente constrói. Passamos uma temporada inteira juntos, atletas de vários estados, com culturas diferentes, e acabamos virando uma família.”
Ele apontou diferenças entre gerações dentro do esporte como um dos principais aprendizados. “Hoje os atletas são muito profissionais, fazem tudo certinho, as vezes até meio robotizado. Na nossa época tinha também muita raça, muita briga por cada ponto, e foi muito interessante mesclar isso na equipe”, afirmou.

 

Foto: Reprodução

Técnico-dirigente cita amadurecimento

Para Samir Ismail Dalleh, a participação na Superliga B representou passo importante no amadurecimento do projeto. Segundo o técnico-dirigente, o time enfrentou limitações financeiras e teve pouco tempo para montar o elenco antes do início da competição. “Tudo aconteceu muito rápido, a classificação e o início do campeonato, e quase não conseguimos entrar na competição por falta de apoio financeiro. Conseguimos disputar jogos muito equilibrados”, afirmou.

Conforme o treinador, algumas equipes da Superliga B contavam com financiamentos significativamente maiores, como o Norde Vôlei, que disputa o mata-mata e teve investimento de aproximadamente R$ 3 milhões.

“A nossa equipe provavelmente foi a que teve menos investimento na competição. Mesmo assim conseguimos jogar de igual para igual em vários momentos”, disse o responsável pela campanha do Sesc MS Vôlei

Apesar do rebaixamento, Samir avalia que o desempenho evoluiu ao longo da campanha. “Do meio para frente o time ganhou mais entrosamento, tínhamos mais tempo juntos. Se tivéssemos começado a treinar um pouco antes, enfrentado times menos favoritos no início, talvez tivéssemos nos mantido entre os dez“, argumenta.

Patrocinador pontua impacto social e avalia parceria

Entre os principais parceiros da temporada está o Sistema Fecomércio. Segundo o gerente de unidade móvel do Sesc MS, José Carlos Rigo, a decisão do apoio ocorreu após a equipe de Campo Grande conquistar a vaga para disputar a competição nacional. “Esse resultado já representava uma conquista importante para o esporte de Mato Grosso do Sul, e foi um dos fatores que motivaram nosso interesse no projeto”, afirmou.

De acordo com ele, o aporte financeiro foi de R$ 30 mil mensais, total de R$ 150 mil. “O investimento ajudou no custeio da contratação de atletas e na manutenção do time. Também oferecemos suporte estrutural para os treinamentos e preparação física na nossa academia, por exemplo”, explicou.

Rigo destacou o impacto social das partidas realizadas em Campo Grande. Durante os jogos, o público foi incentivado a doar alimentos para o programa Mesa Brasil. Ao todo, foram arrecadados cerca de 1.057 quilos de alimentos, destinados a dez instituições e que beneficiaram aproximadamente 2,9 mil pessoas. Segundo o gerente do Sesc, a participação na Superliga B servirá como base para avaliação dos próximos passos da parceria.

A equipe também contou com apoio institucional para parte da logística ao longo da temporada. Segundo Samir Dalleh, a Fundesporte (Fundação de Desporto e Lazer de Mato Grosso do Sul), auxiliou em algumas demandas relacionadas a viagens e estrutura, o que ajudou a reduzir parte dos custos operacionais do projeto.

 

Mellissa Ramos

 

 

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