O chamado “Relógio do Apocalipse” avançou novamente e passou a marcar 85 segundos para a meia-noite — símbolo do fim da humanidade. A atualização foi anunciada nessa terça-feira (27) e representa a menor distância já registrada desde a criação do marcador simbólico, quatro segundos a menos em relação ao ano passado, quando o relógio indicava 89 segundos para a extinção humana.
O relógio é ajustado anualmente há 79 anos pelo Conselho de Ciência e Segurança do Boletim dos Cientistas Atômicos. Ele foi criado dois anos após o fim da Segunda Guerra Mundial por cientistas da Universidade de Chicago, entre eles Albert Einstein e Robert Oppenheimer, que participaram do desenvolvimento das primeiras bombas atômicas no âmbito do Projeto Manhattan.
A lógica do relógio é simples: quanto mais próximos os ponteiros estão da meia-noite, maior é o risco de uma catástrofe global. Quando foi inaugurado, em meio às tensões iniciais da Guerra Fria, o marcador indicava sete minutos para a meia-noite.
Ao anunciar o novo ajuste, o Boletim alertou que, já em 2025, havia sinalizado que o mundo estava perigosamente próximo de um desastre global. No entanto, segundo a entidade, o cenário internacional se agravou. “Rússia, China, Estados Unidos e outros países importantes tornaram-se cada vez mais agressivos, hostis e nacionalistas”, destacou o conselho.
Entre os fatores citados está a criação do chamado “Domo Dourado”, projeto militar anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. De acordo com o Boletim, o sistema de defesa antimíssil multicamadas, que inclui interceptores espaciais, aumenta o risco de conflitos no espaço e pode impulsionar uma nova corrida armamentista espacial.
As mudanças climáticas também pesaram na decisão. O Boletim ressaltou o novo recorde de dióxido de carbono na atmosfera, que já alcança 150% dos níveis pré-industriais. O CO₂ é apontado como o principal gás responsável pelo aquecimento global provocado pela ação humana. O aumento histórico das temperaturas e do nível do mar também foi citado, assim como o impacto direto na saúde da população. “Pela terceira vez nos últimos quatro anos, a Europa registrou mais de 60 mil mortes relacionadas ao calor”, destacou o relatório.
Propostas para evitar a catástrofe
Além do alerta, o Boletim dos Cientistas Atômicos apresentou quatro sugestões de ações consideradas fundamentais para afastar a humanidade do risco de colapso global. Entre elas está a retomada do diálogo entre Estados Unidos e Rússia para limitar arsenais nucleares, além do compromisso dos países com armas nucleares em evitar investimentos desestabilizadores e respeitar a moratória sobre testes nucleares explosivos.
O conselho também defende acordos multilaterais e regulações nacionais para reduzir riscos associados ao uso da inteligência artificial, especialmente na criação de ameaças biológicas. Outra recomendação é que o Congresso norte-americano reverta políticas contrárias às energias renováveis, incentivando a redução do uso de combustíveis fósseis.
Por fim, o Boletim sugere que Estados Unidos, Rússia e China avancem em diálogos bilaterais e multilaterais para estabelecer diretrizes claras sobre o uso da inteligência artificial em sistemas militares, principalmente nos comandos e controles de armamentos nucleares.
Segundo os cientistas, sem mudanças significativas no rumo das decisões políticas e tecnológicas globais, o mundo continuará se aproximando perigosamente da meia-noite simbólica.
Com informações do Metrópoles
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