Especialista alerta os riscos de ‘não largar o celular’ e os impactos na saúde mental

Foto: Imagem ilustrativa/Freepik
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Dados recentes do estudo Consumer Pulse mostram que os brasileiros passam, em média, mais de 9 horas por dia na internet, sendo mais de 3 horas exclusivamente em redes sociais. O celular se tornou uma extensão da vida moderna — e sair dele parece cada vez mais difícil e o psiquiatra e especialista em saúde mental Eduardo Araújo, explica que a resposta está no próprio cérebro.

“As plataformas oferecem uma combinação praticamente infinita de vídeos curtos, memes e conteúdos criativos que ativam regiões do cérebro ligadas à sensação de recompensa. Isso não significa que o celular seja um vilão, mas que ele amplifica vulnerabilidades já existentes e cria ciclos de hiperestimulação difíceis de romper”, indica.

Embora a tecnologia facilite comunicação e acesso à informação, a hiperconexão também traz consequências para a saúde mental, incluindo ansiedade, estresse, sobrecarga mental e alterações no sono.

“Quando estamos constantemente conectados, o cérebro permanece em estado de alerta. Isso pode dificultar o descanso mental e interferir diretamente na qualidade do sono e na capacidade de concentração”, alerta Araújo.

Efeitos diferentes para cada idade

O uso excessivo de telas impacta pessoas de formas distintas. Adolescentes e jovens são os mais vulneráveis. “Eles estão em uma fase crucial de desenvolvimento social e emocional. A exposição excessiva, principalmente às redes sociais, pode estimular comparações constantes e gerar sentimentos de inadequação, irritabilidade e até depressão”, explica o especialista.

O excesso de interação digital pode também prejudicar habilidades interpessoais e criar dependência emocional das interações virtuais. Entre adultos, o problema aparece na forma de sobrecarga mental e aumento do estresse, impulsionado pela pressão por respostas rápidas e excesso de informações. Já entre os idosos, o desafio é maior exposição a golpes virtuais e notícias falsas, especialmente para quem ainda está se adaptando ao ambiente digital.

Apesar dos riscos, Araújo reforça que a tecnologia não é o problema: “O objetivo não é abandonar o celular, mas desenvolver uma relação mais consciente com a tecnologia. Pequenas mudanças no cotidiano podem fazer uma grande diferença para a saúde mental.”

Limitar o tempo de uso, silenciar notificações e priorizar interações presenciais são algumas das estratégias recomendadas. “A tecnologia deve ser uma ferramenta para facilitar a vida, não para dominar o nosso tempo e nossas emoções. Aprender a se desconectar também é uma forma de cuidar da saúde mental”, conclui o psiquiatra.

Por Michelly Perez

 

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