Entre erros e acertos: por que planejar metas para no próximo ano ajuda o cérebro a sair do piloto automático

Revisar objetivos, ajustar expectativas e dividir metas em curto, médio e longo prazo contribui para o equilíbrio emocional e reduz a ansiedade, explica a Psicologia

Com a proximidade da virada do ano, entre dezembro e janeiro, é comum que muitas pessoas façam um balanço do ciclo que termina e passem a traçar metas para o próximo. O hábito de rever escolhas, ajustar expectativas e planejar objetivos para o ano seguinte faz parte da rotina de fim de ano – seja na vida pessoal, profissional ou familiar.

Mas por que esse movimento parece tão necessário? E por que, para algumas pessoas, planejar traz mais equilíbrio do que ansiedade? Para o psicólogo cognitivo-comportamental e neurocientista Jefferson Morel, o planejamento funciona como um mecanismo que ajuda o cérebro a sair do funcionamento automático e a se orientar melhor no cotidiano.

“As metas funcionam como uma espécie de mapa para o cérebro. Sem elas, ele opera no modo automático, reagindo apenas às urgências do dia a dia. Quando estipulamos metas claras, ativamos áreas ligadas à motivação, ao foco e à tomada de decisão”, explica.

Na prática, esse conceito faz parte da rotina da jornalista Juliana Rezende, que desde 2019 transforma o fim de cada ano em um momento de pausa, reflexão e organização. Para ela, colocar os planos no papel é mais do que listar desejos – é uma forma de enxergar possibilidades e organizar por onde começar.

“Quando eu escrevo, consigo visualizar meus desejos e também aquilo que o ano pode me proporcionar. Planejar, para mim, é pensar por onde vou começar e como vou fazer”, conta.
Mãe de Gabriel, de 7 anos, Juliana explica que o planejamento ganha ainda mais peso quando envolve a maternidade. Segundo ela, organizar metas que incluem o filho exige atenção redobrada, tanto emocional quanto financeira.

“Tem as atividades que vão surgir, os gastos, os compromissos. Quando a gente tem filho, não dá para planejar só para si. Eu preciso me organizar duas vezes mais.”

Juliana divide seus objetivos em curto, médio e longo prazo – uma estratégia que ajuda a tornar os planos mais concretos e acessíveis. Entre as metas estão ações simples e necessárias, como levar o filho ao dentista (curto prazo), uma viagem em família (médio prazo) e o sonho da casa própria (longo prazo).

Segundo ela, cumprir metas menores traz uma sensação de avanço que impacta diretamente o bem-estar emocional.

“Quando eu consigo cumprir uma meta, mesmo pequena, isso me dá uma sensação de equilíbrio. Eu fico menos ansiosa e mais confiante para continuar.”

Jefferson Morel explica que essa percepção faz sentido do ponto de vista psicológico. Metas distribuídas ao longo do tempo ajudam o cérebro a perceber progresso e reduzem a sensação de descontrole.

“O cérebro responde muito bem a metas alcançáveis. Cada pequena conquista libera estímulos positivos que reforçam o comportamento e ajudam a manter o equilíbrio emocional.”
Por outro lado, ele alerta que um dos erros mais comuns é criar metas irreais, genéricas ou desconectadas da rotina.

Listas extensas, rígidas demais ou pouco específicas tendem a gerar frustração, abandono precoce e aumento da ansiedade. Segundo o psicólogo, o planejamento precisa ser coerente com o momento de vida de cada pessoa.

“Nem toda meta abandonada representa fracasso. Às vezes, ela apenas não combina mais com o momento de vida da pessoa.”

Planejar, portanto, não é buscar perfeição, mas construir caminhos possíveis. Rever metas que não foram cumpridas também faz parte do processo e pode ser um exercício de autoconhecimento e ajuste de expectativas.

Na virada do ano, mais do que fazer listas longas de resoluções, o desafio está em transformar o planejamento em uma ferramenta de cuidado consigo mesmo — respeitando limites, prioridades e o ritmo de cada fase da vida.

Erros mais comuns ao planejar metas
* Criar metas genéricas demais
“Ser mais feliz” ou “ter sucesso” são desejos válidos, mas pouco claros para orientar o comportamento.
* Ignorar o contexto emocional e a rotina real
Planejar sem considerar tempo, energia emocional e limitações do dia a dia aumenta as chances de frustração.
* Estabelecer metas irreais ou excessivas
Listas longas e ambiciosas tendem a gerar ansiedade e abandono precoce.
* Não revisar metas antigas
Metas não cumpridas, quando ignoradas, podem gerar culpa em vez de aprendizado.

Acertos que fortalecem o planejamento
* Transformar metas em etapas menores
Objetivos fracionados ajudam o cérebro a perceber progresso e mantêm a motivação.
* Revisar e ressignificar metas não cumpridas
Nem toda meta abandonada é fracasso; muitas apenas deixam de fazer sentido.
* Alinhar metas a valores pessoais
Quando os objetivos fazem sentido para a pessoa, o engajamento é maior.
* Praticar flexibilidade

Metas saudáveis se ajustam conforme mudanças acontecem.

Por Suelen Morales

 

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