A causa animal em Campo Grande: um problema grave e sem respostas efetivas

A causa animal em Campo Grande, infelizmente, vive uma situação alarmante. O cenário atual é de completo colapso: protetoras independentes estão sobrecarregadas, muitas endividadas, e ONGs acumulam entre 300 e 400 animais, trabalhando muito além de seus limites físicos, emocionais e financeiros.

Hoje, nenhuma ONG da cidade está recebendo novos animais. Diante disso, quando alguém resgata um animal abandonado ou em situação de risco, a única alternativa tem sido fotografá-lo e divulgar nos grupos de adoção de Campo Grande, na esperança de encontrar um adotante ou um lar temporário. Ainda assim, as chances são mínimas, pois todos enfrentam a mesma dificuldade.

Campo Grande não possui um local público destinado ao recolhimento e acolhimento desses animais. Esse vazio institucional gera muita desinformação. Um dos equívocos mais comuns é acreditar que o CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) recolhe animais das ruas ou oferece atendimento médico-veterinário. Isso não acontece. O CCZ não realiza esse tipo de recolhimento, e a responsabilidade recai sobre a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que, na prática, não oferece soluções efetivas para o problema.

Diariamente, a polícia recebe diversas denúncias de atropelamentos de animais. É importante lembrar que, mesmo quando o animal possui tutor, o motorista também pode ser responsabilizado, conforme a legislação. A vida animal não pode ser tratada como descartável.

Outro ponto fundamental é entender que não se deve “empurrar o problema com a barriga”. Ao retirar um animal da rua, acolher um animal doente ou abandonado, a pessoa assume, naquele momento, a responsabilidade por sua vida e por seus cuidados.

Infelizmente, não existem instituições públicas e gratuitas que façam esse trabalho de forma contínua. Clínicas veterinárias não têm estrutura para acolher esses animais, e as ONGs já estão operando acima do limite, tanto em espaço quanto em recursos financeiros.
Trata-se de um problema complexo e de resolução a longo prazo, e, infelizmente, há pouca ajuda do poder público. Quem ama e respeita os animais precisa se tornar um agente de mudança, divulgando e incentivando a posse responsável e o controle de natalidade, por meio da castração. Já quem não gosta de animais, muitas vezes, ignora o problema ou até atua contra os poucos que tentam ajudar.

Campo Grande precisa, com urgência, de um sistema de governo efetivo, que funcione de verdade, com políticas públicas estruturadas, investimento contínuo e compromisso com a causa animal. Enquanto isso não acontece, protetores seguem lutando quase sozinhos para evitar que essa situação se torne ainda mais trágica.
Respeitar os animais também é uma questão de humanidade, saúde pública e responsabilidade social.

Por Ana Flávia Barbosa Pelicho – Jornalista formada em Comunicação Social Rádio e TV e Pós-graduação em Comunicação Social, Língua Portuguesa e Literatura.

Abaixo assinado sobre a causa animal.

 

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