Expansão permite diagnóstico até 40 doenças em crianças com até cinco dias de vida
Com um salto de oito para quase 3 mil testes realizados por mês, a oferta gratuita do Teste do Pezinho Ampliado pelo SUS (Sistema Único de Saúde) democratizou o acesso ao exame que, agora, pode detectar 40 doenças e não apenas sete, como anteriormente. De acordo com o coordenadora técnica do Iped/APAE (Instituto de Pesquisas, Ensino e Diagnóstico da APAE) de Campo Grande, Josaine Palmieri, esse avanço também representa a melhora na prevenção de doenças que podem ser detectadas ainda nos primeiros dias de vida do bebê, elevando a qualidade de vida.
O Teste do Pezinho Ampliado começou a ser ofertado pelo SUS no começo de janeiro a partir do primeiro dia útil do ano e, até o momento, estão sendo realizados mais de 100 testes por dia no Iped, que prevê um volume de 3 mil exames por mês. Mato Grosso do Sul é o terceiro Estado do país a oferecer a expansão, que deve chegar a todas as localidades brasileiras a partir de 2030.

Coordenadora Josaine destaca que por dia estão sendo realizados mais de 100 testes – Foto: Roberta Martins
A coordenadora explica que, além de expandir o acesso e as possibilidades de diagnósticos, a disponibilização do exame pelo SUS fez com que o custo de cada exame despencasse para R$ 180,00, valor custeado por meio de um convênio firmado com a SES (Secretária de Estado de Saúde) no valor de R$ 531 mil.
“Agora vamos ter um volume de 3 mil testes em média, então, conseguimos fazer em um valor muito bom, já que conseguimos firmar parcerias com fornecedores para baratear os custos. Os valores vêm da SES e atende todo o Estado”, detalhou.
Entre as doenças que podem ser diagnosticadas estão imunodeficiências, atrofia muscular espinhal, galactosemias e outras disfunções metabólicas, totalizando 40 patologias, garantindo que o tratamento possa ser iniciado o quanto antes, aumentando as chances de proporcionar qualidade de vida para o bebê durante toda a vida.
O teste deve ser feito entre o terceiro e quinto dia de vida da criança, sendo que a coleta de sangue pode ser realizada na própria maternidade, caso o recém-nascido fique mais de 48h no hospital, ou em qualquer unidade de saúde, bem como na sede do Iped/APAE. Todos os exames são processados nos laboratórios da instituição, sendo que os resultados ficam disponíveis nas unidades de saúde, inclusive no interior do Estado para onde são enviados.

Foto: Roberta Martins
Diagnóstico e saúde
Mãe de primeira viagem, Gabrielle Santana, de 23 anos, levou o pequeno Theo, de apenas 4 dias de vida, para realizar a coleta e garantir que o filho cresça e se desenvolva de forma saudável.
“Acho essa ampliação bem importante e, por mais que pareça assustador para o bebê, porque ele vai chorar, é importante que os pais não deixem de vir fazer o teste”, disse.
O resultado pode demorar até 10 dias úteis para ficar pronto e, nos casos em que são detectadas doenças, a equipe de saúde faz um busca ativa para que a criança seja encaminhada para consulta com especialistas a fim de dar início aos tratamentos necessários.
“É importante que os pais não percam o prazo para fazer, que é entre o terceiro e quinto dia de vida do bebê, porque tem doenças que podem deixar a criança sem falar, sem andar ou pode levar, inclusive à morte. Então, é importante fazer o quanto antes”, reforça.
Em Mato Grosso do Sul, o IPED/APAE de Campo Grande é referência na realização do exame. Além da coleta, a instituição garante acompanhamento especializado nos casos em que os resultados indicam alterações.
Por Ana Clara Julião
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